Copo de 3: 2008

31 dezembro 2008

Marques de Griñón - Dominio de Valdepusa - Cabernet Sauvignon 1998

Considerado como um dos produtores de maior prestígio de Espanha e um dos pioneiros de modernização da viticultura Espanhola, Don Carlos Falcó y Fernández de Córdova, Marquês de Griñón, graduou-se em Engenharia Agronómica na Universidade de Lovaina (Bélgica) e posteriormente também em Davis University (Califórnia).
Foi pioneiro na introdução de castas estrangeiras, sendo que em 1974 introduziu em Espanha as variedades de uva Cabernet Sauvignon e Merlot, que posteriormente estendeu para Chardonnay, Petit Verdot e Syrah. Os primeiros vinhos, realizados debaixo da direcção do Professor Emile Peynaud de Bordéus, foram o Marquês de Griñón Rueda Superior branco 1982 e o Marquês de Griñón Cabernet Sauvignon 1982.
A sua paixão pela enologia, levou a que fosse construída em 1989 uma adega em Malpica de Tajo, onde a sua família é proprietária desde 1270, da Finca Valdepusa, um histórico edifício do Séc. XVIII dentro do histórico domínio com o mesmo nome.
Convém relembrar que o Domínio de Valdepusa, foi reconhecido pelo governo Espanhol como o primeiro ''Vino de Pago'' oficial, e que tem desde 2002, o estatuto de D.O. própria. Por essa mesma razão esta colheita de 1998 ainda era considerada como ''vino de mesa'', que aparece mencionado no contra rótulo.
O Domínio de Valdepusa ocupa uma superfície de 50ha, das quais 42ha destinam-se a vinha, onde a variedade mais cultivada é a Cabernet Sauvignon, com cepas datadas de 1974.
Nos dias que correm os vinhos desde produtor estendem-se para além dos Montes de Toledo, até à Rioja, passando pelo Alto Duero e Argentina.
Focando atenções no Domínio de Valdepusa, onde tal como nos restantes ''Pagos'' o enólogo Michel Rolland dá a devida assessoria, o lote de vinhos produzidos varia entre o topo de gama Emeritvs (produzido desde 1997), aos varietais (Cabernet Sauvignon, Syrah e Petit Verdot) e em 2001 saiu ao mercado o Svmma Varietalis.
Em prova o Cabernet Sauvignon da colheita de 1998 do Domínio de Valdepusa, um vinho que segundo o produtor, pode-se beber quando sai para o mercado, mas que melhora sem dúvida num prazo de 10 anos, e feita a vontade é altura de o provar:

Marqués de Griñón - Dominio de Valdepusa - Cabernet Sauvignon 1998
Castas: Cabernet Sauvignon (90%), Merlot (10%) - Estágio: barrica de carvalho francês Allier e Nièvre durante 18/24 meses - 14% Vol.

Tonalidade ruby escuro de concentração média/alta.

Nariz essencialmente fino e dono de uma boa complexidade, a denotar fruta do bosque de muito boa qualidade, destacando groselha preta, amoras e um ligeiro toque de ameixa (alguma compota presente). A passagem por madeira conferiu-lhe uma maior complexidade, tornou-o mais interessante e mais envolvente, invocando ligeira tosta e baunilha que dão seguimento a toque especiado (mais no campo das pimentas) bem patente durante a prova. A complementar surge a componente vegetal, mas um vegetal seco que opta por se acomodar ao que já se conhece, mostrando-se ligeiro e permitindo divagar ao lado de folhas de tabaco, algum mato rasteiro, e no final aquele bálsamo vegetal que remata a frescura sentida durante toda a prova.

Boca a mostrar um vinho de nobre estrutura e fino trato, com a fruta (amora, groselha negra e ameixa bem mais presente) a sentir-se bem fresca e a marcar presença de imediato, estando a barrica muito bem integrada, ao nível da prova de nariz. A delicada complexidade que mostra, vagueia entre o seu toque especiado e o vegetal, permitindo uma boa envolvência a todo o conjunto, em final de boca de boa persistência.

Desta colheita foram engarrafas 62.530 garrafas cabendo a esta o nº 031047, com um preço que rondou na altura de compra os 14€. Como alguém disse durante a prova, é um vinho feito e que ainda tem pernas para durar mais alguns anos em garrafa. Os 10 anos de vida que já leva, em nada o prejudicaram, antes pelo contrário, o vinho apresentou-se muito elegante, fresco e assente numa bela dose de complexidade. Foi servido a 14ºC atingindo o ponto ideal de consumo aos 18ºC.
17

30 dezembro 2008

La Geria Malvasía Dulce - Lanzarote

Voando até Lanzarote (Canárias), vamos ao encontro da Paisagem Protegida de La Geria (5.255 hectares), em pleno Parque Natural de La Geria.
Coberto com um espectacular manto negro de cinza vulcânica que se estende por todo o vale, pode-se admirar a beleza de uma paisagem inóspita, resultante das erupções vulcânicas (1730-1736) e adaptada no tempo, pela mão do homem que foi capaz de seguir o seu instinto de sobrevivência e adaptação ao meio que o rodeava.
Desta adaptação surge o cultivo de vinhas, em buracos escavados nas cinzas vulcânicas, chegando estes aos 3 metros de profundidade e mais de 8 metros de diâmetro cada um. Cada cova ou buraco, como se lhe queira chamar, está rodeado de um pequeno muro semicircular de pedra vulcânica para proteger a vinha dos ventos Alísios e da entrada de areia.
É nesta peculiar paisagem, e em pleno coração da principal zona vitivinícola de Lanzarote, que fica situada a bodega La Geria (uma das principais de Lanzarote e Canárias).

A adega foi construída nos finais do séc. XIX pela família Rijo e desde 1993 é dirigida pelos actuais proprietários, sofrendo desde então, importantes mudanças a nível tecnológico com vista a melhorar a qualidade dos vinhos ali produzidos.
A variedade de uva predominante é a Malvasía e outras como a Listán Negra e a Moscatel, onde o clima por sua vez afecta a produção devido à escassa precipitação registada, a subsistência da planta está relacionada com a tipologia do solo, onde a areia bastante porosa, permite uma passagem rápida do orvalho até à terra vegetal, impedindo desta forma que o calor do dia faça evaporar essa água, fazendo com que a planta subsista em anos de pouca precipitação.
A vindima ocorre a princípios de Agosto, a primeira em toda a Europa, causada por um maior número de horas de sol no que toca ao continente e pelas suaves temperaturas durante todo o ano (16º-28º). A vindima é realizada de forma manual, face à impossibilidade da entrada de maquinaria no terreno, realçando o facto de o transporte das uvas em alguns momentos ser feito por camelos.
Informação retirada do site do produtor La Geria.

La Geria Malvasía Dulce - Lanzarote
Castas: 100% Malvasía - 12,5% Vol.

Tonalidade amarelo palha com laivo dourado e ligeiramente glicérico.

Nariz a não se mostrar muito expressivo, fruta madura e fresca (pêssego, maçã, diospiro, laranja) presente com bastante calda de açúcar, floral muito ligeiro e um fundo de suave mineralidade.

Boca de entrada a combinar de forma elegante a boa dose de frescura com a doçura bem presente durante toda a passagem de boca. Sensações de fruta em calda, novamente nas sensações que deu em nariz, mostrando-se um pouco mais expressivo na prova de boca. De concentração moderada, sente-se em fundo um ligeiro toque salgado de refinamento com certa mineralidade, em final de persistência média.

Pode ser encarado como uma curiosidade resultante de um conjunto bem amparado por uma natureza bastante peculiar, dando uma prova prazenteira. É um vinho que se mostra
fino e delicado, encerrando dentro de si uma boa dose de singularidade.
15

27 dezembro 2008

Tapada do Barão

É do Alentejo, mais propriamente de Reguengos de Monsaraz que nos chegam do Monte dos Perdigões os vinhos Tapada do Barão, pertencentes à Granacer, S.A.
Em prova a versão tinto e branco do Tapada do Barão, ambos da colheita 2007.

Tapada do Barão 2007
Castas: Trincadeira, Aragonez, Cabernet Sauvignon, Castelão, Syrah, Alicante Bouschet, Merlot e Tinta Caiada - Estágio: estágio curto em carvalho allier de grão fino e queima média. - 13,5% Vol.

Tonalidade ruby de concentração média.

Nariz jovem e a mostrar-se bem frutado (ameixa, amora) e fresco. Toque vegetal em segundo plano com a madeira a deixar-se ficar muito para segundo plano com sensações fumadas em fundo. Assenta num perfil directo e frontal que transmite de imediato tudo aquilo que tem.

Boca de entrada fresca e equilibrada, destaque para a fruta e a ligeira secura vegetal que marca o segundo plano. Mediano de corpo, tem boa dose de frescura que juntamente com uma passagem de boca sem desequilibrio autoregulam o vinho para uma prova bastante satisfatória.

Um vinho jovem a assentar essencialmente na fruta, e se ampara na breve passagem que teve pela madeira, para desta maneira poder ganhar um pouco mais de envolvimento e complexidade. Mostra-se bastante descontraido para beber no dia a dia e com uma grande apetência para os inúmeros pratos da gastonomia tradiconal. O preço ronda os 4,50€
14,5

Tapada do Barão branco 2007
Castas: Antão Vaz, Arinto, Verdelho/Gouveio e Viognier - 13% Vol.

Tonalidade amarelo citrino de reflexo esverdeado.

Nariz que desperta de imediato para aroma frutado e fresco (ananás, pêssego, limão, lima) de boa intensidade, seguido de perto por vegetal fresco. Adornado por alguma flor, melado e sensação ténue de ligeira untuosidade, esbatida na fruta e na frescura ligeira que apresenta.

Boca de entrada com boa dose de fruta madura (no sentido da prova de nariz), conjunto a mostrar algum corpo, diga-se até que se complementa com uma ponta de untuosidade (derivada da batonnage a que esteve sugeito). Completa-se com ligeira acidez num perfil claramente de meia estação, em final de boca de persistência mediana.

É mais uma boa aposta para um consumo diário com qualidade assegurada, polivalente mais uma vez com uma grande panóplia de pratos de peixe. e saladas. Preço que deverá rondar os 4,50€.
14,5

26 dezembro 2008

Coop Borba Garrafeira 2002

O termo Garrafeira começa a fazer cada vez mais parte de um passado vínico em Portugal. O certo é que hoje em dia, são relativamente poucos os produtores que optam por lançar um ''Garrafeira'' para o mercado, onde ao que parece a regra dominante é a de consumir o vinho quanto mais novo melhor.
O consumidor ávido de novidades, exerce desta forma uma enorme pressão nos produtores, que se vêm obrigados a colocar os vinhos cedo de mais no mercado para satisfazer a vontade e procura dos consumidores.

Quantas vezes aquele vinho acabado de sair no mercado, em prova se constata que ainda precisa de mais um tempo para afinar todo o seu conjunto ?

E quantos consumidores dão ao vinho o tempo necessário para o poderem desfrutar em todo o seu esplendor ?
Uma das razões a invocar será a falta de melhores condições de guarda na generalidade das habitações, mas o que por si só não implica que se consiga aguentar uma garrafa por 6 a 12 meses, que por vezes são mais que suficientes para notórias melhorias em determinados vinhos.
Mas nos dias que correm o consumidor impaciente disso não quer saber, bebe os seus vinhos em estado quase selvagem e como vieram ao mundo (leia-se mercado), sabendo de antemão que poderia tirar muito mais partido desse mesmo vinho com algum tempo de espera. Instala-se a vaidosice em forma de corrida desenfreada às novidades, apenas e só para dizer que já se provou, atenção que provar e beber são duas coisas diferentes, para isso basta reparar no estado final dos intervenientes para se tirar essa conclusão.
Em prova está um vinho já com 6 anos de vida, de uma colheita menos dita menos simpática (2002) mas que mesmo assim conseguiu meter cá fora vinhos de merecido destaque:

Coop Borba Garrafeira 2002
Castas: Aragonez, Trincadeira e Alicante Bouschet - Estágio: estagiou 18 meses em tonéis de madeira exótica e barricas de carvalho americano, foi engarrafado em Abril de 2004, ficando desde então em repouso na cave durante mais 18 meses. - 13% Vol.

Tonalidade granada escuro com ligeiro laivo atijolado.

Nariz a mostrar um conjunto bastante afinado, onde conjuga notas de madeira envernizada com fruta (bagas e ameixa) em plano maduro e harmonioso, com ligeira passa e licor. De um aroma terroso, complementado por vegetal seco e especiarias, surge em segundo plano com aromas de cacau, caixa de charutos, caramelo e toque fumado de fundo, em final balsâmico.

Boca a revelar um conjunto elegante e delicado, longe de grandes concentrações e super estruturas que cada vez mais se encontram presentes noutros vinhos. Este Garrafeira, antes pelo contrário, é um vinho que se apresenta num ponto alto de consumo, a fruta madura com toque licorado, ao lado de especiarias (pimentas), tabaco e um ligeiro toque terroso. O final é de cariz vegetal seco a lembrar chá preto, colocando alguma secura num final de persistência média.

São cerca de 29.000 garrafas produzidas, a um preço que ronda os 12€ na Wine Shop da Adega Coop. de Borba. A prova que dá mostra uma espacialidade mediana, de subtil frescura e uma concentração de sabores média/baixa. Um bom vinho da Coop. de Borba mas uns furos abaixo do anterior Garrafeira.
16

24 dezembro 2008

Feliz Natal

O Copo de 3, deseja a todos os leitores deste espaço e respectivas famílias, um Santo e Feliz Natal.

16 dezembro 2008

Quinta das Marias Encruzado (com barrica) 2006

Após quase 10 anos a produzir vinhos, a afirmação chegou no ano passado com o lançamento no mercado de um conjunto de vinhos onde a sua qualidade inegável, os levou a brilhar ao mais alto nível. Para os mais distraídos seria o surgir da Quinta das Marias, produtor situado no Dão, onde os 8ha de terra situados entre as margens dos rios Dão e Mondego, no meio de colinas de granito perfazem um local ideal para a produção de vinho.
O produtor Peter Eckert, tem como objectivo principal a qualidade, o aumento de produção fica fora de questão, ficando apenas e só a vontade de apurar cada vez mais a qualidade, o que de certa forma se traduz numa produção de pequena escala, permitindo numerar todas as garrafas produzidas.
Apostando essencialmente nas castas tradicionais do Dão, os seus vinhos variam entre os extremes de Touriga Nacional, Alfrocheiro e Encruzado, até aos vinhos de lote como o Cuvée TT, Quinta das Marias e mais recentemente o Garrafeira.

Quinta das Marias Encruzado (com barrica) 2006
Castas: 100% Encruzado - Estágio: - 13,5% Vol.

Tonalidade amarelo dourado com leve toque esverdeado.

Nariz de boa intensidade com uma delicada complexidade, revelador de uma madeira presente mas muito fina e em perfeita sintonia com todo o conjunto. Sente-se ao mesmo tempo um lado fresco e maduro da fruta (tropical e citrinos) com o lado mais temperado da baunilha e de um leve amanteigado presente. O segundo plano varia entre algumas recordações de frutos secos torrados e um final de cariz mineral.

Boca a mostrar um vinho muito redondo, estrutura média, com acidez a conferir frescura suficiente ao conjunto. Harmonioso, com certa dose de untuosidade sentida, ao lado de fruta bem madura, baunilha e frutos secos, num final mineral de persistência média.

Um encruzado diferente, naquilo que perde em mineralidade e frescura, ganha claramente em arredondamento derivado da passagem por madeira. Se quando saiu para o mercado a madeira ainda teimava em relegar a fruta para um segundo plano, é neste momento com 2 anos de vida que em minha opinião o vejo em melhor forma. Está pleno de equilíbrio e dá uma prova de belo nível.
16,5

14 dezembro 2008

Quinta dos Roques Touriga Nacional 2002

Certos vinhos dispensam grandes apresentações, ou porque por si só já são uma referência obrigatória, ou porque a sua consistência como marca ao longo de mais de uma década, fazem dele um exemplo a seguir por todos os consumidores.
O Touriga Nacional da Quinta dos Roques é por si só um fiel exemplo do que foi dito anteriormente. Conquistou o coração dos consumidores, com a colheita de 1996, que viria a dar início a uma caminhada de sucesso, marcando o percurso de um dos melhores exemplares de Touriga Nacional que o Dão, e Portugal nos podem oferecer.
É dito e sabido que a colheita de 2002, não terá sido das melhores dos últimos tempos, mas curiosamente é desta mesma colheita que tem surgido grandes vinhos, tal como este Touriga Nacional da Quinta dos Roques.

Quinta dos Roques Touriga Nacional 2002
Castas: 100% Touriga Nacional - Estágio: 11 meses em barrica de carvalho francês de 225 litros, de primeiro e segundo ano - 13% Vol.

Tonalidade ruby escuro de concentração média/alta.

Nariz a mostrar conjunto coeso, aprumado, mediano na intensidade com grande elegância e finura de aromas. Fruto preto (amoras, cereja) maduro acompanhado de perfume muito ténue de violetas, em conjunto com baunilha, especiarias (pimentas) e cacau. O segundo plano é envolvido em vegetal seco, alguma nota fumada, com fundo repartido entre balsâmico e mineral.

Boca com entrada que alia o fruto preto ao toque apimentado, acidez média que guia durante toda a passagem de boca, revelando pelo caminho cacau, mato rasteiro, fumo e balsâmico de fundo. Muito arredondado, harmonioso e de espacialidade mediana, dá uma prova bastante integra sem qualquer sinal de desgaste evidente, com final de boca de persistência média/alta.

Tendo provado outras colheitas do Touriga Nacional desta casa, chega-se à conclusão que este se mostra ligeiramente diferente, menos efusivo nos aromas florais, menos expansivo, mas ao mesmo tempo é um vinho muito integro e elegante, chamemos-lhe polido. Provando este Touriga quem é que diz que 2002 foi ano mau ?
17

13 dezembro 2008

Quinta dos Roques Encruzado 2007

Localizada entre Mangualde e Nelas, no lugar de Abrunhosa do Mato, a Quinta dos Roques é bem o exemplo do espírito com que está a ser edificado o novo Dão. Desde os primitivos Roques, já lá vai mais de um século, que a vinha e o vinho fazem parte do dia a dia da família Lourenço, embora durante muito tempo a produção satisfizesse pouco mais do que necessidades de consumo da casa.
No início da década de oitenta virou-se uma página na história desta quinta. A agricultura tradicional de subsistência, onde as vinhas eram cultivadas à força de braço e as uvas entregues à cooperativa de Mangualde, chegou ao fim. Em seu lugar começou a ser construído um projecto que visava a produção de vinho do Dão da mais alta qualidade. A primeira etapa deu prioridade às vinhas. Escolhidos os melhores terrenos de origem granítica e, por vezes, xistenta, situados em encostas suaves viradas a Sul, neles foram plantadas as melhores castas da região segundo as técnicas mais modernas.
Passados alguns anos, quando a produção das vinhas começou a ser consistente, foi construída a nova adega, e os primeiros vinhos nela elaborados logo mostraram que se estava no caminho certo.
Actualmente a Quinta dos Roques dispõe de quarenta hectares de vinhas modernas, cerca de 75% da área é ocupada por castas tintas, onde domina a Touriga Nacional (40%), Tinta Roriz, Alfrocheiro Preto, Jaen, Tinto Cão e Tinta Pinheira; os restantes 25% são de castas brancas, onde prevalece o Encruzo (40%), Malvasia Fina, Bical e Cercial. A informação anterior foi retirada do site do produtor.
Desde a sua primeira colheita, o Encruzado da Quinta dos Roques tem vindo a afirmar-se como um fiel exemplar da casta Encruzado, tornando-se ele próprio uma referência da sua região, como também, num dos melhores vinhos brancos que Portugal.

Quinta dos Roques Encruzado 2007
Castas: 100% Encruzado - Estágio: 65% fermenta em barricas de carvalho francês onde estagia posteriormente durante 6 meses - 13,5% Vol.

Tonalidade amarelo citrino de concentração média/baixa.

Nariz de boa intensidade aromática, onde fruta madura (tropical e citrinos), geleia e algum vegetal fresco, se fundem com um segundo plano marcadamente mineral. Frescura sentida, num todo bem harmonioso e elegante, sensações de baunilha e frutos secos no final.

Boca a revelar um vinho bastante elegante, envolvente e de boa complexidade, conjugando uma bela dose de acidez com fruta madura (tropical, citrinos). Mostra um segundo plano marcadamente mineral, onde a passagem que teve por madeira lhe confere ligeira sensação de tosta e frutos secos, num final de boa persistência.

Este Quinta dos Roques apresenta-se muito aprumado e com tudo no seu devido sítio. Mostra um belo nível de complexidade e profundidade, num conjunto que é uma fonte de prazer imediato, que se irá refinar com mais tempo em garrafa.
Um hino à casta Encruzado, que o coloca como um dos grandes brancos nacionais. O preço é deveras aliciante, podendo variar entre os 10/12€.
17,5

11 dezembro 2008

Quinta dos Carvalhais Colheita Seleccionada 2004

Adquirida pela Sogrape em 1989, com a adega a ser construída no ano seguinte, a Quinta dos Carvalhais é actualmente uma das principais referências dos vinhos do Dão.
Situada no Concelho de Mangualde, entre Mangualde e Nelas, a quinta compreende uma área total de 100 ha. com 50 ha. de vinha plantada e uma idade média da vinha que ronda os 10 anos.
Nas castas, as tintas ocupam 80% da área total, onde marcam presença a Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro e Jaen, e os restantes 20% são completados pelas castas brancas, Encruzado, Assario, Verdelho, Bical e Cerceal.
É um estilo de vinho branco pouco comum em Portugal, digo isto porque não é normal um vinho branco sair para o mercado já com 3/4 anos, contam-se com relativa facilidade os produtores que o fazem.
Num momento em que se fala sobre o envelhecimento dos vinhos de mesa Portugueses, principalmente nos tintos, a verdade é que no panorama mais claro (branco) a coisa não é famosa e da totalidade dos brancos nacionais, são relativamente poucos aqueles que se podem vangloriar de ser de ''guarda'', como é o caso deste Quinta dos Carvalhais Colheita Seleccionada 2004 aqui provado:

Quinta dos Carvalhais Colheita Seleccionada 2004
Castas: Encruzado e Verdelho - Estágio: parte do lote estagiou cerca de 6 meses em meias pipas de carvalho francês novo, após este período, este vinho e o Verdelho foram transferidos para barricas de carvalho usadas onde estagiaram durante mais cerca de 20 meses. - 13,5% Vol.

Tonalidade amarelo dourado de concentração média/baixa.

Nariz a mostrar um conjunto bem harmonioso, equilibrado e com uma bela complexidade. Aroma envolvente e muito cativante, onde se nota desde logo uma grande harmonia existente entre fruta/madeira/frescura, com limão, pêssego e ananás (banhados nas sua caldas) e maçã assada com a respectiva cobertura de açúcar caramelizado. No seu plano intermédio surge vegetal, com reminiscência balsâmica a lembrar folhas verdes de eucalipto, em conjunto com especiaria doce (cravinho), a boa cremosidade que nos dá o amanteigado presente, frutos secos e um toque a lembrar o petróleo utilizado em casa, em mineralidade leve de fundo.

Boca de entrada prazenteira, a mostrar-se bom de corpo e ao mesmo tempo com uma bela dose de acidez, num todo muito harmonioso, balanceando mais uma vez a fruta madura com os toques derivados da madeira e do tempo. Sensação de cremosidade e alguma untuosidade (amanteigado) em conjunto com frutos secos torrados, e frescura que nos remete para os citrinos, flores e mineral de fundo, em final de boca longo e persistente.

É um vinho que dá bastante prazer à mesa, onde o tempo não lhe pregou nenhuma partida e consegue neste momento prometer mais uns anos de guarda imaculada. Um prazer no copo e à mesa, com evolução bastante positiva durante toda a refeição, numa produção que ronda as 6.600 garrafas a um preço aproximando dos 12€.
17

04 dezembro 2008

Condado de Haza 2000

Alejandro Fernández, o aclamado maestro da Tempranillo ou também conhecido como o Sr. Pesquera, é a viva imagem de um homem que se fez a si próprio, um homem que desde criança alimentou o sonho de ter a sua própria adega e fazer grandes vinhos. Seguindo a tradição familiar, aprendeu com o seu pai, Alejandro elaborava vinho todos os anos a partir dos vinhedos familiares, mas teve de esperar até ao ano de 1972 para ter a sua própria adega, um pequeno lagar de pedra do Séc XVI, onde realizava quase todo o processo. Só passados 10 anos, é que a adega Pesquera acabaria por ter o aspecto que tem nos dias de hoje, onde o antigo lagar ainda se mantém.
Foi a meados dos anos 80 que Alejandro Fernández descobre uma ladeira abandonada nas margens do rio Duero/Douro, que segundo ele parecia reunir condições para se transformar numa das melhores vinhas da região, obviamente da casta Tempranillo a que mais gosta e domina como ninguém.
Foram precisos 3 anos de negociações com os donos para que se pudessem adquirir as ditas parcelas individuais que perfaziam a encosta. Foi em 1989 que se plantaram os primeiros 80ha, e contando nos dias de hoje com cerca de 200 ha, fazendo o nome da Quinta referência à terra próxima de seu nome Haza. A primeira vindima seria de 93, mas a primeira colheita seria em 94 sendo elaborados na adega Pesquera, e apenas em 1995 estaria completo o hoje conhecido Condado de Haza.
O grupo Pesquera inclui entre outros, El Vínculo (La Mancha), Dehesa La Granja, Pesquera e o Condado de Haza do qual se deixa a nota de prova do seu crianza 2000.

Condado de Haza 2000
Castas: 100% Tempranillo - Estágio: 18 meses em carvalho americano e 6 meses em garrafa - 14% Vol.


Tonalidade ruby escuro de média intensidade.

Nariz a mostrar desde o principio um vinho de perfil que arrisco em chamar clássico, face ao que os vinhos mais recentes da Ribera del Duero apresentam. Os 8 anos já se notam no conjunto, mostrando fina complexidade num todo bastante polido, talvez um pouco polido a mais, com a fruta vermelha bem madura embora algo diluída num toque de licor e ligeiro envernizado. O fundo é todo ele, forrado a finas madeiras, baunilha e algum couro de boa qualidade, com caramelo de leite e cacau em pó, num conjunto de fina complexidade.

Boca fina e equilibrada, ainda mostra boa dose de fruta madura com frescura bem doseada, num corpo algo delgado de concentração. Especiarias muito leves de segundo plano, com algum cacau e notas de licor. Perde-se um pouco no final de boca, em persistência média/baixa.

Sem dúvida alguma que este vinho deveria ter sido bebido nos seus primeiros anos de vida, ainda assim deu uma prova satisfatória. O que perdeu em força conseguiu ganhar em finesse, embora se mostre um pouco desgastado principalmente na prova de boca, com a fruta pouco dialogante e a acidez a não acompanhar durante toda a passagem de boca. É um vinho que na mais recente colheita deverá andar na casa dos 8-10€ e acompanha muito bem carnes vermelhas na grelha. O trabalho a nível de madeiras nos vinhos deste grupo é sem dúvida notável.
15,5

Dona Maria Amantis 2004

Amantis, do latim "quem ama", em honra do amor de D. João V dispensou a Dona Maria, cortesã por quem o rei se apaixonou e a quem ofereceu a Quinta nos arredores de Estremoz.
A casa apalaçada do Séc. XVIII é hoje um ponto de referência, não só pela sua beleza como também pela sua história e qualidade dos vinhos que produz.
"Trata-se da melhor e mais bela casa de campo da região, conservada nas linhas originais de arquitectura Barroca e Joanina..." (Inventário Artístico de Évora)
O seu interior é rico em azulejos da época de D. João V, e o mármore, típico da região, encontra-se também um pouco por todo lado.
Segundo conta a história, a Quinta foi adquirida em tempos por D. João V para oferecer a uma cortesã, D. Maria, por quem estava perdidamente apaixonado. Foi essa cortesã que deu o nome à Quinta e ao vinho nela actualmente produzido.
Hoje em dia a Quinta é conhecida como Quinta do Carmo, pois numa época posterior à edificação da casa, construiu-se uma capela datada de 1752, que foi dedicada e consagrada a Nossa Senhora do Carmo.
Com a enologia a cargo de Sandra Gonçalves, saiu a primeira colheita do Amantis aqui em prova:

Dona Maria Amantis 2004
Castas: Syrah (30%), Petit Verdot (30%), Cabernet Sauvignon (30%) e Touriga Nacional (10%) - Estágio: n/d - 14,5% Vol.

Tonalidade ruby escuro de concentração média/alta.

Nariz a mostrar um conjunto que foge claramente ao ''normal'' da região, qual amante mostra-se bem sedutor e aventureiro, capaz de prender a atenção e cativar quem prova. Na boa complexidade que apresenta, marca presença uma fruta de grande qualidade na sua vertente mais silvestre, como se de uma cesta inteira tivessemos à frente, ao lado de uma componente balsâmica (eucalipto), cacau morno, especiarias doces (cravinho) e toque de baunilha que lhe amaina o espírito e confere sensação de cremosidade ao conjunto.

Boca apresenta um vinho bem estruturado e muito harmonioso, boa espacialidade e dose de frescura que o acompanha. É elegante e muito fino no trato, sensações de cremosidade mais uma vez presentes com as especiarias no segundo plano e a componente balsâmica a completar o final de boca, de boa persistência.

Um vinho num ponto alto de consumo, tudo no seu devido sítio, consegue dar bastante prazer durante a sua prova, aguenta-se bem durante toda uma refeição sem que os seus imponentes e cada vez mais costumeiros (14,5% Vol.) se façam notar. Claramente com um perfil menos Alentejano e bem mais internacional, consegue apesar disso mostrar um cunho bem pessoal, sem que fiquemos com a sensação de já ter provado semelhante. Foram 16.500 garrafas que saíram a um preço entre os 14-17€
16,5

03 dezembro 2008

Quinta das Marias Cuvée TT 2005

Este vinho não é uma novidade e quem estiver a ler irá dizer que já se encontra uma nova colheita no mercado. A razão que me levou a colocar apenas nesta altura a devida nota de prova, deve-se apenas e só ao que provando nesta altura, posso avaliar a evolução após ter passado quase um ano desde o seu lançamento. Podia ter colocado uma nota de prova muito antes, mas esse trabalho já tinha sido realizado, e bem, por outros blogs, aqui e aqui.
Assim sendo, tento desta forma criar dentro do possível uma harmonia entre os vários blogs que se vão mantendo actualizados, e que de certa forma se complementam uns aos outros, visto que sobre este vinho podem ser encontradas notas de prova desde o seu lançamento em 2007, prova em inícios de 2008 e agora aqui novamente em final do ano.

Quinta das Marias Cuvée TT 2005
Castas: Tinta Roriz (60%) e Touriga Nacional (40%) - Estágio: 12 meses em barricas de carvalho francês e americano - 14,5% Vol.

Tonalidade ruby bem escuro de concentração alta.

Nariz de intensidade média, mostrando desde logo umas notas de baunilha com tosta ligeira a acompanhar fruta vermelha (amora, morango) bem madura e fresca. Transmite claramente uma sensação de arredondamento em todo o seu conjunto, com notas florais (violetas) a marcar presença tal como algumas notas de coco, chocolate preto, caramelo de leite e especiaria doce (cravinho). No fundo tem parecer balsâmico em companhia de mineral, num conjunto onde se sente o perfeito entendimento das duas castas, juntamente com as notas derivadas da passagem por madeira.

Boca que nos indica um vinho de estrutura mediana, macio e bem afinado de corpo. Harmonia sentida entre fruta vermelha e a madeira (tosta, caramelo, especiaria, chocolate preto), em bom seguimento da prova de nariz e com uma frescura bem presente. O fundo mostra um ligeiro balsâmico que se dilui em notas de mineral, com final de boca de persistência média.

Pertence claramente à nova vaga de vinhos do Dão, mais moderno nos seus atributos e de certa forma a apresentar-se de uma maneira mais fácil de agradar a um alargado leque de consumidores. O preço ronda os 18€ e das 4320 garrafas coube a esta o nº0205.
16

Olho de Mocho Reserva Tinto 2004

Olho de Mocho Reserva Tinto 2004
Castas: Syrah e Aragonês - Estágio: 9 meses em barricas novas carvalho francês 'Allier' (60%) e americano (40%) - 13% Vol.

Tonalidade ruby escuro de concentração média/alta.

Nariz de boa intensidade, destacando-se muito por um aroma distinto, fresco e algo sedutor, num conjunto que alguns chamam de ''feminino'', mostrando-se com madeiras finas que transmitem baunilha fina, cacau em pó e fruta vermelha bem madura com alguma compota. Floral a perfumar o conjunto com segundo plano a mostrar vegetal fresco, com especiaria de fundo e algum balsâmico. Conjunto harmonioso e muito sedutor, prazenteiro onde se sente a fruta bem fresca com uma madeira fina muito bem integrada.

Boca de entrada bem estruturada, balsâmico presente com boa frescura presente, bom na espacialidade com a fruta fresca a marcar a passagem de boca. Tudo muito equilibrado entre fruta a barrica, leve sensação de cremosidade num conjunto de belo efeito, em final de persistência mediana.

Este foi o primeiro Reserva lançado no mercado por este recente produtor Alentejano. Projecto auspicioso, muito bem pensado e com grande rigor na apresentação dos seus vinhos, desde as fichas técnicas aos prospectos. O preço recomendado é de 18€
16

02 dezembro 2008

Quinta das Tecedeiras Reserva 2003

A Quinta da Teixeira Velha, localiza-se na região do Cima-Corgo, em Ervedosa do Douro no concelho de São João da Pesqueira, era o nome pelo qual a quinta era conhecida até ao final do século XIX, altura em que adoptou o nome de Quinta das Tecedeiras. O nome remonta ao passado quando a quinta esteve na presença do condado de S. Pedro das Águias e por tal habitada por freiras e monges. Nesse tempo o cultivo do linho era o produto mais rentável, que tecido pelas freiras (tecedeiras) garantia o sustento da comunidade.
Nos dias de hoje, a Quinta conta com uma totalidade de 66ha onde 15ha são de vinha (100% castas tintas), onde 5 ha tem mais dde 80 anos (com mistura de castas, Tinta Amarela, Tinta Roriz, Touriga Nacional Souzão, Rufete, Touriga Franca e Tinto Cão) e os outros 10 ha vinha com 20 anos de idade, estando a ser plantados mais quatro, mantendo o encepamento já existente. A primeira vindima foi feita em 2001, na antiga adega entretanto reformulada respeitando e aproveitando as infra-estruturas aí existentes.
Na foto do lado temos a flor que aparece no rótulo, nada mais que a flor do linho.

Quinta das Tecedeiras Reserva 2003 Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Touriga Franca, Tinto Cão, Tinta Barroca, Tinta Amarela. - Estágio: fermentação maloláctica decorreu em barricas de carvalho francês, aí permanecendo 10 meses. - 14% Vol.

Tonalidade ruby escuro de concentração média/alta.

Nariz com aroma de bela intensidade, parece querer mostrar ao início umas ligeiras notas químicas que se dissipam rapidamente, mostrando um conjunto de fino recorte e de bela complexidade, onde aromas vegetais a recordar o aroma da esteva e da carqueja, se juntam a uma fruta bem madura (cereja, groselha) com ligeira compota presente. Complementa-se com o travo das especiarias (cravinho, pimentas) entrelaçado na ligeira brisa floral (violetas), denotando uma barrica muito bem acomodada, diga-se de passagem que se mostra de enorme elegância, aportando notas de baunilha, cacau e algum café moído, recordando novamente a sensação morna e de alguma cremosidade presente no mocaccino, com todo o seu consequente envolvimento no restante conjunto, num final fresco que consegue juntar um ligeiro toque balsâmico.

Boca de estrutura bastante harmoniosa, frescura presente durante a prova numa toada ligeira mas mais que suficiente, num todo que se mostra com fruta (groselha, amora, cereja) bem presente. Envolvendo-se o conjunto com notas de especiaria, mocaccino aqui também bem presente aportando as sensações de cremosidade, tal como na prova de nariz. A passagem de boca é bastante afinada e de bela espacialidade, com taninos bem comportados em fundo de recordação balsâmica, com final de persistência média/alta.

Com a produção a rondar as 6.000 garrafas e um preço a rondar os 20-25€, grandiosa relação preço/qualidade diga-se de passagem, fazem deste vinho uma aposta mais que obrigatória, fonte de prazer assegurado enquanto novo ou mesmo após tirar umas férias na nossa garrafeira. Assumidamente este é um dos meus vinhos de eleição, e é pena que fique muitas vezes afastado das mesmas luzes da ribalta que outros vinhos, assumidamente mais caros, têm costantemente direito.
17,5

01 dezembro 2008

Soalheiro Alvarinho 2007

Soalheiro Alvarinho 2007
Castas: 100% Alvarinho - Estágio: n/d - 12,5% Vol.

Tonalidade amarelo citrino de laivo esverdeado

Nariz a mostrar uma belíssima intensidade, limpo e com belo lote de fruta madura presente, desde os citrinos (toranja, limão) que ganham algum destaque em todo o conjunto, com ligeiro pêssego e tropical, num todo que mostra uma enorme finura no trato. Intercalando com o que já foi dito, surgem notas de vegetal fresco (relva recém cortada) e uma bem presente mineralidade em fundo.

Boca a mostrar um conjunto bastante afinado, com fruta madura na sua veia mais tropical, banhada por uma uma frescura/acidez citrina que lhe confere uma belíssima vivacidade durante toda a passagem de boca. Por momentos dá a sensação de ligeira untuosidade na boca, como que a interligar todos os detalhes que nos vai mostrando, complementando-se ainda com um suave vegetal fresco em fundo mineral, num final longo e de boa persistência.

O vinho Soalheiro, foi o primeiro vinho verde feito a partir da casta Alvarinho a surgir em Melgaço. Deste então, já lá vão 26 anos, tem vindo a afirmar-se como uma das grandes referências nacionais no que toca a vinhos brancos de grande qualidade.
É um vinho que dá uma prova de altíssimo nível quando novo, mas que não vira cara a uns anos de cave onde irá desenvolver outros níveis de complexidade. Com um preço que ronda os 8€ numa grande superfície comercial , é um vinho a não perder.
17

30 novembro 2008

Adegaborba.pt tinto 2006

Adegaborba.pt tinto 2006
Castas: Aragonez (75%) e Cabernet Sauvignon (25%) - Estágio: 12 meses em depósito de inox e 3 meses em barricas - 13,5% Vol.

Tonalidade ruby escuro de média/baixa intensidade.

Nariz a indicar um vinho com muita fruta vermelha bem madura (morango, framboesa, groselha) presente, emparelhada com aroma de ligeiro especiado (pimentas) e algum vegetal seco. No final mostra um ligeiro toque fumado.

Boca com entrada muito aprumada e fresca, corpo mediano com espacialidade mediana, fruta vermelha bem presente em companhia de toque especiado. Vem no seguimento da prova de nariz, complementando a mesma, num perfil bastante directo, com final de boca de persistência média/baixa.

É mais um bom vinho da Adega Coop. Borba, do qual são feitas 50.000 garrafas com um preço a rondar os 4€. É claramente um vinho para se consumir durante o primeiro ano após entrada no mercado, e uma belíssima aposta para um consumo diário sem grandes preocupações. Pode ser comprado em Bag in Box de 5 litros.
15

Gadiva tinto 2005

Gadiva tinto 2005
Castas: Tinta Roriz, Touriga Nacional e Touriga Franca - Estágio: uma parte do lote estagiou em barricas de carvalho francês 2º ano - 13,5% Vol.

Tonalidade ruby escuro de concentração média.

Nariz de intensidade mediana, sem grandes complexidade mostra-se com fruta vermelha madura (cereja e bagas) presente em sintonia com uma madeira discreta que aporta toque de tosta, cacau e nota de fumo em fundo. Pelo meio ainda se vislumbra um toque de alfazema muito suave como que a perfumar todo o conjunto.

Boca a revelar um vinho afinado, com acidez a proporcionar uma frescura ligeira em boa sintonia com a fruta vermelha que se apresenta bem madura. No final mostra uma ligeira secura derivada de alguns taninos mais reguilas que em nada incomodam, em final de persistência média.

Um exclusivo do grupo Jerónimo Martins (Feira Nova e Pingo Doce), feito pelos Lavradores de Feitoria. Uma aposta muito válida para o dia a dia com qualidade assegurada, com um preço bastante apelativo de 3,99€.
15

29 novembro 2008

Adegaborba.pt Reserva 2005

Situando a conversa no Alentejo, as cinquentenárias Cooperativas foram durante anos a fio (salvo um ou outro produtor), o garante de vinhos com qualidade acima da média, que durante anos se colocou na mesa dos consumidores. Vinhos esses que ainda nos dias de hoje, se encontram em boa forma e capazes de proporcionar autênticos momentos de prazer enófilo.
O que outrora fora sinal de qualidade, rapidamente se viu em queda, em parte por culpa de novos produtores que acompanhados nas tecnologias mais avançadas colocavam os seus vinhos mais apelativos no mercado, remetendo as Cooperativas para um marasmo do qual algumas ainda não conseguiram sair.
Mas se da parte das Cooperativas assistimos a um esforço de inovação e renovação, no que toca à sua imagem e dos seus respectivos vinhos, onde algumas marcas mais conhecidas viram o seu perfil ligeiramente retocado, o mesmo não se pode dizer do consumidor em geral, que vive preso ao preconceito e ao olhar de lado para o vinho de Cooperativa.
Em prova o mais recente lançamento do Adegaborba.pt Reserva, colheita 2005, um vinho que não fica atrás de outros tantos, mas que para muitos nunca vai deixar de ser visto como um vinho de Cooperativa.

Adegaborba.pt Reserva 2005
Castas: Trincadeira (75%), Alicante Bouschet (10%) e Cabernet Sauvignon (15%) - Estágio: - 12 meses em barricas novas de carvalho francês, americano e castanho e estágio final em cave de 12 meses em garrafa - 14% Vol.

Tonalidade granada escuro de concentração alta

Nariz a mostrar um vinho de boa intensidade, a pedir mais um tempo de garrafa necessário para uma maior harmonia, que já a tem, das suas componentes. Mostra desde já, uma fruta vermelha muito madura claramente amparada por um vegetal fresco, num perfil que denota boa presença a tosta e chocolate negro, com fundo bem fresco, mais fresco que a anterior colheita, mas ao mesmo tempo mais coeso.

Boca a mostrar um vinho de entrada ampla, ligeiro arredondamento na passagem de boca, com fruta vermelha a marcar boa presença ao lado de torrados, especiaria, café, vegetal fresco e chocolate negro. Acidez presente a proporcionar uma boa dose de frescura durante toda a prova, uma bela harmonia de conjunto com ligeira secura vegetal no final de boca a mostrar boa persistência e travo de recordação balsâmica.

Vem no seguimento da boa colheita anterior (2004), apesar de se mostrar com uma ponta de austeridade que deverá ser ultrapassada com mais algum tempo de cave. São 24.000 garrafas de um vinho que ronda os 9€ e o transforma numa grande relação preço/qualidade. O rótulo talvez não seja o seu ponto forte, mas já se costuma dizer que ''Quem vê caras não vê corações''.
16,5

28 novembro 2008

Adegaborba.pt Reserva 2004

É um facto que a cinquentenária Adega Coop. de Borba tem vindo a renovar a sua imagem ao longo destes últimos anos, principalmente no que toca aos rótulos dos seus vinhos. Esta inquietação resultou num lançamento pleno de sucesso de uma linha de mono e bivarietais, onde se destacam por exemplo o branco Antão Vaz-Arinto ou mesmo o Trincadeira-Alicante Bouschet. Mais recentemente foi a vez de ver a luz do dia a gama de vinhos Adegaborba.pt, de nome moderno e a apelar claramente a um target de consumidor mais jovem, esta gama seria completada com o lançamento do primeiro reserva, do ano 2004 agora aqui em prova:

Adegaborba.pt Reserva 2004
Castas: Trincadeira (75%), Alicante Bouschet (10%) e Cabernet Sauvignon (15%) - Estágio: - 12 meses em barricas novas de carvalho francês, americano e castanho e estágio final em cave de 12 meses em garrafa - 14% Vol.


Tonalidade granada escuro de concentração alta.

Nariz a despertar para um aroma de boa intensidade, onde se sente em grande quantidade a fruta vermelha de boa qualidade e muito madura, em conjunto com notas compotadas. Mostra-se a madeira bem integrada, conferindo baunilha, tosta, café e pimentas ,complementando o travo de vegetal fresco que percorre todo o segundo plano. Harmonioso, balança entre um tom morno e aquela suave frescura que lhe confere o toque balsâmico presente em fundo.

Boca a mostrar um vinho redondo e de corpo bem estruturado e de boa concentração nos sabores que apresenta. Fruta vermelha a marcar boa presença ao lado de tosta, especiaria, café por moer e vegetal fresco que por vezes lembra pimento. Tem boa dose de frescura presente, uma bela harmonia de conjunto com ligeira secura no final de boca a mostrar boa persistência e travo de recordação balsâmica.

É como se indica no site do produtor, um vinho que alia a modernidade à tipicidade. Claramente mais afinado aquando da sua primeira prova, é um vinho que não vira costas a mais uns tempos de cave. São 24.000 garrafas de um vinho que ronda os 9€ e o transforma numa grande relação preço/qualidade, num perfil que muitos podem chamar de Novo Mundo, mas que prefiro chamar Novo Alentejo.
16,5

27 novembro 2008

Trio Chardonnay - Pinot Grigio - Pinot Blanc 2004

Trio Chardonnay - Pinot Grigio - Pinot Blanc 2004
Castas: Chardonnay (70%), Pinot Grigio (15%) e Pinot Blanc (15%) - Estágio: Chardonnay com 20% em barrica francesa, Pinot Grigio em inox e Pinot Blanc em barrica francesa - 13,70% Vol.

Tonalidade amarelo dourado de mediana concentração com reflexos esverdeados.

Nariz a revelar um vinho pouco exuberante, diga-se até algo apagado das suas memórias, sente-se que deveria ter sido consumido enquanto novo. A base de ligação do trio de castas é a Chardonnay, num conjunto com fruta discreta e simples, mais no plano citrino com limão e tangerina, que propriamente numa vaga tropical, em final com fundo mineral muito ténue.

Boca a mostrar aquilo que o nariz já tinha indicado, um vinho claramente na fase descendente da sua vida, acidez muito ligeira tal como a sua presença, com a fruta de malas aviadas com toque citrino a marcar presença mas pouco mais que isto, em final que não deixa grandes saudades.

O preço deste vinho anda na casa dos 8-10€, e merece obviamente o benefício da dúvida e ser provado na sua versão mais recente ainda cheia de vida e força. Realce para as novas colheitas onde o Pinot Blanc dá lugar à Riesling. Pessoalmente este 2004 já pouco tem a dizer, encontrando-se num nível qualitativo abaixo da média.
12

Marques de Casa Concha - Chardonnay 2006

A história remonta ao ano de 1883 quando Don Melchor Concha y Toro, um distinto advogado chileno, decide apostar na zona do Valle del Maipo para a produção de vinho. Tanto as castas escolhidas como o enólogo seriam de proveniência Francesa e volvidos todos estes anos, actualmente a casa Concha y Toro é apenas e só a principal exportadora de vinhos de toda a América Latina e uma das marcas mais importantes a nível mundial com a marca Casillero del Diablo a afirmar-se como um dos vinhos mais vendidos no mundo.
Se por um lado a quantidade de vinho produzido é de assinalar, temos de destacar a qualidade que intrinsecamente fica ligada a essa mesma quantidade, resultando em vinhos com grande relação preço/qualidade que se destacam num mercado global cada vez mais saturado e exigente.

É no Valle del Maipo, a mais famosa região produtora de vinhos do Chile, e mais precisamente na D.O. de Pirque, das vinhas de Santa Isabel, influenciadas pelos Andes é a mais fresca zona de todo o Valle del Maipo, que nos chega o vinho em prova.

Marques de Casa Concha - Chardonnay 2006
Castas: 100% Chardonnay - Estágio: Fermentação ''sur lies'' durante 11 meses, em barrica de carvalho francês (32%) nova e restante (68%) de 2º e 3º ano - 14% Vol.

Tonalidade amarelo dourado de leve concentração.

Nariz em que se sente uma imediata sintonia entre a fruta presente e a madeira por onde passou. É com notas de ananás e nuances tropicais, pêssego e alguma outra nota de melão bem maduro, que se funde num ligeiro amanteigado, e sensações de frutos secos torrados. É neste conjunto elegante a transmitir algum aconchego, que no final se vislumbram ligeiras notas minerais, como que a complementar com um toque de frescura.

Boca a entrar muito redondo e harmonioso, com grande sintonia com a prova de nariz, onde a fruta marca presença com notas da passagem por madeira muito bem integradas. Sente-se boa dose de untuosidade com alguns frutos secos torrados, tudo em espacialidade mediana com boa presença e em final ligeiramente mineral.

Tal como o exemplar de Cabernet Sauvignon, este vinho mostra-se a um nível muito apetecível e com qualidade bem acima da média, preço a rondar os 13€. Merece prova atenta, acompanhando por exemplo, um bacalhau com natas.
16,5

26 novembro 2008

Monte das Servas Colheita Seleccionada 2006

Monte das Servas Colheita Seleccionada 2006
Castas: Touriga Nacional, Aragonês, Trincadeira e Alicante Bouschet - Estágio: passagem por madeira - 14,5% Vol.

Tonalidade granada escuro de concentração média/alta.

Nariz a mostrar um aroma de intensidade média, onde a fruta (ameixa, amora, framboesa) se mostra muito madura e concentrada, alguma sensação de compota presente e perfume floral (violetas) ao lado de ligeiro vegetal seco (tabaco). A passagem por madeira dá a todo o conjunto uma complexidade mais interessante, sugerindo notas de cacau morno, baunilha, especiaria e alguma tosta, tudo juntinho num conjunto de belo efeito.

Boca de entrada bem estruturada, apresentando espacialidade média, com fruta bem madura a sentir-se presente junto a toque especiado e ligeiro vegetal. Afinado e já pronto a beber, sente-se fresco e muito equilibrado, sem excessos e sem falhas, num final de persistência média.

É um vinho que claramente se enquadra no perfil que este produtor imprime nos seus vinhos São vinhos onde a fruta marca presença com bela concentração, e a barrica de qualidade se dá a mostrar essencialmente com toque de tosta. Todo o conjunto, e convém ter em conta o vinho em questão, pode beneficiar com tempo em garrafa, neste caso está pronto a dar prazer durante a prova, com um preço que ronda os 8€.
15,5

25 novembro 2008

Cortes de Cima 2005

Cortes de Cima 2005
Castas: 67% Syrah, 16% Aragonez, 12% Touriga Nacional, 5% Cabernet Sauvignon - Estágio: 12 meses em carvalho francês (80%) e carvalho americano (20%) - 14,5% Vol.

Tonalidade ruby escuro de concentração média/alta.

Nariz de boa intensidade, evidencia um vinho com boa presença da fruta vermelha (amora, framboesa, groselha) bem madura, com sensação fresca em conjunto que se sente equilibrado e coeso. Especiaria ligeira com notas vegetais, algum caramelo de leite, tosta muito ligeira numa barrica muito bem colocada, e toque balsâmico a terminar lá no fundo.

Boca de entrada estruturada, amplo e redondo, com mais frescura que a anterior colheita, sente-se a fruta muito madura em companhia com as especiarias e o travo ligeiro do vegetal. Morde-se o chocolate preto e balsâmico de boa persistência no final de boca.

É um vinho que se mostra mais fresco que a versão de 2004, em que se o lote final é também diferente, com o domínio neste 2005 a recair sobre a Syrah , sendo que entram em campo a Touriga Nacional e a Cabernet Sauvignon e sai a Trincadeira. Num total de 122.267 garrafas a rondar os 12€ em grande superfície comercial, naquele que é uma aposta séria e que nunca deixa ficar mal, onde a qualidade constante ano após ano é de louvar por parte do consumidor.
16

21 novembro 2008

Porto & Douro Wine Show 2008


O Convento do Beato, em Lisboa, volta a ser palco de mais um evento que reúne grandes vinhos do Douro e do Porto. Numa atmosfera descontraída, num espaço confortável, com o “glamour” que os vinhos durienses merecem.

A TERCEIRA EDIÇÃO do PORTO & DOURO WINE SHOW apresenta-se no lisboeta Convento do Beato, nos dias 22 e 23 de Novembro. A iniciativa é do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP), em parceria com a Essência do Vinho. O programa do evento contempla nova edição do LISBOA GOURMET, um espaço onde lojas e marcas “gourmet” poderão divulgar produtos através de degustações junto dos visitantes. Ainda nesta área será possível assistir a sessões de “Cozinha ao Vivo” protagonizadas por grandes chefes de cozinha. Do lado dos vinhos, algumas dezenas de produtores terão oportunidade de dar a conhecer os lançamentos mais recentes, proporcionando degustações livres de vinhos das denominações de origem Porto e Douro. Os mais sedentos de conhecimento poderão ainda participar em provas comentadas de vinho e nos “Wine Talk”. Música ao vivo e “wine parties” ajudarão a conferir um ambiente único.

O evento decorre nos dias 22 e 23 de Novembro em Lisboa no Convento do Beato, entre as 16h e as 21h.

20 novembro 2008

Dona Matilde branco 2007

A Quinta Dona Matilde, é uma quinta familiar localizada nas margens do Rio Douro, e está entre as mais antigas e famosas Quintas da região do Douro.
Com uma superfície total de 93 hectares, a quinta conta com 28 hectares de vinha de alta qualidade, todas classificadas com letra A - a mais alta classificação da Região Demarcada Douro.
É um projecto de Manuel Ângelo Barros e dos seus filhos (Filipe e Nuno) para produzir e comercializar vinhos DOC do Douro e Vinho do Porto de alta qualidade.
A empresa actualmente produz uma quantidade limitada de vinhos tinto e branco DOC Douro que comercializa sob a marca Dona Matilde, marca registada que pertence à família de Manuel de Barros desde 1927, ano em que o seu avô, Manoel Moreira de Barros (fundador do grupo Barros) comprou a quinta e em honra da sua mulher mudou o nome da Quinta do Enxodreiro para Quinta Dona Matilde.

Dona Matilde branco 2007
Castas: Arinto, Viosinho, Rabigato e Verdelho - Estágio: inox - 12,5% Vol.

Tonalidade amarelo citrino de laivos esverdeados.

Nariz com boa exuberância, fruta madura a mostrar um pendor assente em notas citrinas (limão, lima), mas a jogar também com tropical ligeiro (kiwi, carambola e physalis) e alguma fruta de polpa branca. Completa-se na boa profundidade que apresenta, com ramo de flores e sensações de ligeira geleia pelo meio. Mostra-se fresco, jovem e bem harmonioso, com mineral a rematar todo o conjunto.

Boca a mostrar um vinho com boa estrutura, médio na espacialidade e onde se sente e bem a presença da fruta (neste caso da componente citrina), em companhia de algum vegetal bem fresco. Tudo isto aparece amarrado a uma bela dose de frescura presente durante a prova, com sensação de geleia a meio palato, dando lugar de destaque ao travo mineral que impera no final, com persistência final média/alta.

É uma bela novidade este Dona Matilde, um branco a um preço que se pode chamar de sensato (indicado na casa dos 7€) e que mostra uma boa apetência gastronómica.
16

19 novembro 2008

Trilho branco 2007

Trilho branco 2007
Castas: Rabigato, Gouveio, Códega do Larinho - Estágio: 6 meses em barricas novas de carvalho francês de 225 litros - 13,5% Vol.

Tonalidade amarelo dourado de média intensidade com reflexos esverdeados.

Nariz a mostrar um conjunto com uma bela intensidade de aromas, sentindo-se um conjunto fresco com cesta de fruta (ananás, maçã, melão e algum citrino) bem madura e em boa quantidade , com nuance de vegetal fresco a lembrar relva cortada bem integrado e presente. A madeira por onde passou, apresenta-se em grande harmonia e integração de conjunto, aportando leve sensação de tosta, com final de lembrança acentuadamente mineral.

Boca de entrada muito frutada e fresca, equilíbrio sentido num perfil de bela estrutura e média espacialidade, dando lugar imediato a vegetal fresco que nessa mesma forma se assemelha à prova de nariz. Resulta um todo pleno de harmonia entre frescura/fruta/madeira num final com despedida mineral e de persistência média/alta.

São 3.000 garrafas a um preço recomendado pelo produtor de 15€. Um vinho que devido à pouca quantidade de açúcar residual que apresenta, torna-se um vinho com perfil mais seco e convidativo a ser servido por exemplo com uma cataplana de ameijoas.
16,5

Bajancas branco 2007

Bajancas branco 2007
Castas: Rabigato, Gouveio, Códega do Larinho e Malvasia Fina - Estágio: Cuba de Inox -

Tonalidade amarelo citrino de leve dourado.

Nariz a mostrar-se bem directo, com flores e mel das mesmas, fresco com a fruta a mostrar boa qualidade. É a fruta que domina por completo o panorama, vagueando pela lima, limão, toranja, toques de pêra e maçã verde e alguma geleia muito fina acompanhando aroma de relva fresca. O vinho termina num toque mineral, num conjunto de parca complexidade.

Boca a apresentar estrutura média/baixa, diga-se que se mostra algo ligeiro nos passos que dá durante toda a prova, com a fruta de cariz citrino a mostrar grande domínio, em claro toque acidulado, que já de si se mostra um pouco delgado. O toque vegetal ainda surge em jeito de despedida com final mineral de persistência média/curta.

Foram produzidas 2.200 garrafas com preço a rondar os 5€, num vinho de qualidade média, correcto e bem feito.
14

Bajancas 2005

Bajancas 2005
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca - Estágio: 12 meses em barricas novas de carvalho francês de 500 litros - 13,5% Vol.

Tonalidade ruby escuro de concentração média/alta.

Nariz a revelar-se de média intensidade, a sentir-se fresco no seu todo, com fruta vermelha e negra bem madura, com componente vegetal presente com toques de mato rasteiro e alguma esteva em flor. Complementa o conjunto um ligeiro torrado, chocolate preto e notas fumadas derivadas da passagem por madeira, com final a apresentar alguma mineralidade.

Boca de estrutura média, mostrando-se redondo e com grande maciez, boa dose de frescura que nos acompanha de início ao fim, fruta bem presente e bem madura, quase que a dar um toque de leve doçura ao vinho. Presença de especiaria e balsâmico ligeiro, o pendor vegetal mostra-se ligeiramente no final de boca com ligeira secura vegetal e alguns taninos por domar, final de boa persistência.

Este vinho com enologia a cargo da equipa 2PR, vem no seguimento da boa colheita de 2004. Com o preço a rondar os 8€, num total de 9.300 garrafas produzidas, nota-se neste 2005 uma presença bem maior da fruta em detrimento do vegetal, que se mostra presente mas mais comedido. Um vinho pronto a beber e que fará muito boa companhia a grande variedade de propostas gastronómicas.
15,5

15 novembro 2008

Branco da Gaivosa Reserva 2006

Branco da Gaivosa Reserva 2006
Castas: Malvasia Fina, Arinto e Gouveio - Estágio: n/d - 12,5% Vol.

Tonalidade amarelo dourado ligeiro de concentração.

Nariz a indicar que estamos presentes um vinho delicado de aromas, com a fruta madura (citrinos, melão e pêssego) com frescura ligeira a ser sentida logo de inicio, ao lado de ligeiro aroma floral (laranjeira) e alguma resina de esteva. Madeira discreta e muito equilibrada, num conjunto que prima por uma prova elegante e bastante harmoniosa, com frescura cuidada, em fundo descoberto de toque fumado com ligeiro mineral.

Boca a prestar uma prova que confirma a prova de nariz, tudo no mesmo plano de harmonia e de delicadeza, sem grandes concentrações. Com espacialidade moderada, tem uma boa dose de frescura que transmite durante toda a prova de boca, onde a fruta se mostra mais uma vez muito bem ao lado de toque de relva fresca e ligeiro mineral. O final de boca é de persistência moderada.

É um vinho que primando pela elegância de conjunto, dá a clara sensação de que lhe falta um pouco mais de expressão e vivacidade. O preço anda na casa dos 18€, o que não o transforma num alvo muito apetecível se pensarmos por exemplo no Alves de Sousa Reserva Pessoal Branco, se bem que este último apresenta um perfil completamente diferente.
15,5

14 novembro 2008

Redoma branco 2006

Redoma branco 2006
Castas: Rabigato, Codega, Donzelinho, Viosinho e Arinto - Estágio: 8 meses em barricas carvalho francês - 13,5% Vol.

Tonalidade amarelo citrino com leve nuance dourada.

Nariz a mostrar-se com fruta (citrinos, pêra e alperce) bem madura e de frescura dominante, com suave madeira presente e muito bem integrada com o restante conjunto. É no seu todo um vinho de boa complexidade, com um segundo plano a ser complementado por notas florais que se fundem com uma elegante e fina tosta, dando por momentos uma sensação de ligeiro amanteigado ao conjunto que se mostra fresco e com pendor mineral a dominar o seu final.

Boca onde se sente um vinho harmonioso, com fruta muito presente a dialogar muito bem com a madeira presente mas em grande harmonia e guiada por uma belíssima acidez, que nos guia durante toda a passagem de boca. No fundo sente-se um toque mineral que sustem o conjunto, aprumado e de final médio/longo.

É um vinho muito equilibrado e harmonioso, onde a fruta marca presença ao lado de uma madeira muito bem integrada e bastante subtil pela maneira como se mostra. Envolvendo todo o conjunto temos uma acidez bastante presente que aporta uma belíssima frescura que guia o vinho durante toda a prova, culminando com num final mineral, num todo de bela complexidade. O preço ronda os 18€ numa boa garrafeira.
16,5

13 novembro 2008

Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas 2005 conquista 3º lugar Top 10 Wine Spectator

Todos os anos a conceituada Wine Spectator, lança uma lista dos 100 melhores vinhos do ano, onde o mais aguardado como será de prever é o anúncio do seu Top 10, sempre seguido com bastante atenção e algum entusiasmo por parte da comunidade enófila.
Durante anos, questionou-se o para quando a presença de um vinho Português nesse tão cobiçado Top 10, muitos não acreditavam e pensavam que seriam lugares destinados a nomes conceituados de outros lados, outros lugares.
A verdade é que o trabalho dentro de portas tem sido cada vez mais e melhor e os resultados começaram a aparecer ainda que tímidos ao principio. Hoje em dia, cada vez mais o mundo do vinho coloca os olhos em Portugal, e desta vez as atenções vão ser ainda maiores, pois é com a maior das satisfações que anuncio que um vinho Português consta no Top 10 de 2008 da Wine Spectator.

Factores como preço (ronda os 25€), qualidade (pontuado na WS com 95 pontos), quantidade produzida e o factor entusiasmo, fizeram com que o vinho Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas 2005 conquistasse este ano o 3º lugar no Top 10 2008, um vinho que é o primeiro vinho de mesa Português a entrar no Top 10 da Wine Spectator.

Os meus parabéns à Quinta do Crasto.

12 novembro 2008

Flor das Maias 2005

A história da Quinta das Maias, já vem de longe, remontando ao ano de 1897. Desse tempo pouco resta, ficou a adega antiga e as maias, ramos de giesta em flor, que todos os anos anunciam a Primavera, símbolo adoptado pelo produtor, que podemos encontrar no rótulo dos seus vinhos.
Situada entre Nabais e S.Paio de Gouveia, mesmo no sopé da Serra da Estrela e dentro do perímetro do Parque Natural, conta, actualmente, com uma área total de cerca de trinta e cinco hectares, dos quais treze com vinhas velhas e dois com vinhas recentemente plantadas. O encepamento das vinhas velhas é o característico da região, pontificando o Jaen e a Tinta Amarela nas tintas e a Malvasia Fina nas brancas. O encepamento das vinhas novas é diferente, obedecendo a uma estratégia que se pretende inovadora na produção de vinhos do Dão. Nas castas brancas dominam o Verdelho, o Barcelo e o Encruzado, enquanto nas tintas pontificam o Jaen, o Tinto Cão, a Tinta Roriz, Touriga Nacional e o Alfrocheio Preto.
O vinho em prova é o novo topo de gama desta casa, o Flor das Maias 2005.
(foto retirada deste site http://momentoseolhares.blogs.sapo.pt )

Flor das Maias 2005
Castas: Touriga Nacional, Alfrocheiro e Jaen - Estágio: n/d - 14% Vol.

Tonalidade ruby escuro de concentração alta.

Nariz a mostrar um vinho que se sente fresco e com fruta (frutos silvestres) bem madura adornada de leve compota, socorrida de imediato de aromas florais num belo ramalhete a lembrar giestas, esteva e outras tantas. Sente-se o reconforto da madeira, que não marca em demasia o conjunto, coloca um leve chocolate preto, especiaria,tabaco e toque balsâmico, tudo muito aconchegado e quase que a dar aquela sensação de ambiente morno. Na boa complexidade que apresenta, o vinho transmite elegância e acima de tudo bastante prazer, com fundo mineral tal como a serra que o viu nascer.

Boca que indica um vinho bem estruturado, tem entrada com presença sentida de fruta em vertente silvestre, em tom fresco e bem apaladado, deambula pelos toques florais novamente acompanhado de perto com alguns derivados da madeira. Tem uma secura derivada de alguns taninos ainda mais marotos, que apesar de presente não incomoda em nada a prova, de bela espacialidade e de maioritária harmonia. O final fica entre uns ligeiros balsâmicos e um firme fundo mineral, em final de bela persistência.

É um vinho que tanto se pode beber agora com bastante prazer, como se pode deixar na garrafeira por mais alguns anos e deixar que o tempo faça a sua magia. Uma bela estreia, este Flor das Maias, que beneficiou claramente ao ser decantado 30 minutos antes de ser servido. O preço indicado ronda os 30€.
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