Copo de 3: Porta dos Cavaleiros Reserva Seleccionada 1985

03 dezembro 2014

Porta dos Cavaleiros Reserva Seleccionada 1985


Sem produção própria ou sequer vinificação na região do Dão, as Caves São João limitavam-se a comprar vinhos nas adegas cooperativas e em algumas quintas da região para posterior estágio e loteamento na sua sede localizada na Bairrada. O grande conhecimento que os irmãos Alberto e Luís Costa detinham sobre a região nos anos 60, permitiu durante esse tempo adquirir/abastecer de forma continuada com alguns dos melhores vinhos de toda a região. A mestria com que dominavam a arte do lote e tendo em conta a qualidade da matéria-prima disponível, permitiu criar vinhos de enorme qualidade com um cunho muito próprio aliado a um perfil marcadamente clássico da região. Vinhos que perduraram na sua grande totalidade até aos dias de hoje, no silêncio das caves, onde residem nos dias de hoje mais de um milhão de imaculadas garrafas que resistiram à passagem do tempo. É pois todo um privilégio e uma rara oportunidade para os apreciadores poderem entrar nos dias de hoje em contacto com toda a glória e esplendor de tempos que já não voltam.

Sobre este 1985 que se mostra com um aroma clássico da região, quase que em forma de compêndio, mais fresco e definido que o 1983, menos denso embora de igual patamar de qualidade, aqui com a energia de uma fruta vermelha (bagas silvestres) muito viva, tabaco seco, fumo, ameixa seca, pinhal, cheio de finesse. Boca cheia de fruta viva e suculenta que apetece trincar, acetinado no palato, um autêntico prazer a beber, fantástico o equilíbrio e a frescura invejável. Um hino ao que de melhor o Dão e Portugal têm para oferecer. As condições de guarda têm muito a dizer sobre o estado de saúde do vinho, pelo que se recomenda a compra na loja do produtor onde deverá rondar os 35€.  96 pts

2 comentários:

Anónimo disse...

ah, os clássicos das Caves São João estão de facto entre o melhor que se encontra em termos de vinhos antigos por esse país fora! e diga-se de passagem que deitam abaixo algumas das teses tão en vogue nos últimos anos: por exemplo que os vinhos das cooperativas não prestam nunca. como se vê nestes vinhos havia lotes de extraordinária qualidade que se faziam nalgumas delas, e faziam-se pelos métodos mais tradicionais, sem maquilhagens de barricas absurdas nem nada. 30 (e mais, lembro-me dum Frei João '70, entre outros... mítico!) anos mais tarde ainda expremem o "terroir" e a qualidade da colheita!

outro ponto: aposto que estes vinhos duram tão bem porque ainda houve uma boa percentagem de Baga entre as castas. muita asneira se fez em termos das recomendações e continua a fazer-se apostar tudo num frutado imediato que já a partida pouco interesse tem, mas depois de alguns anos o vinho simplesmente se vai abaixo...

em alternativa ao cabrito no forno, se arranjar uns tordos ou uma galinhola nesta época de caça, não hesitava em abrir uma destas

João Pedro Carvalho disse...

Sempre foi uma das minhas tentações, vinhos Clássicos e Caça... estará pois para breve.

 
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