Copo de 3

17 maio 2018

Justino’s Terrantez Old Reserve


A Terrantez é uma casta rara, quase extinta, que cobre os vinhos a que dá origem com uma capa de mistério e fascínio. Este vinho da Justino´s (Madeira), entretanto já descontinuado, foi engarrafado como Old Reserve uma vez que quando foi comprado, há mais de cinquenta anos atrás, o mesmo não tinha um registo da colheita, acreditando-se rondar 1930. Estamos perante um vinho com mais de setenta anos, de aromas limpos, profundo, notas de iodo, sotolon, laca, casco velho, bolo de noz com caramelo, floral, exótico e misterioso. Boca com entrada que envolve e forra o palato com travo de amêndoas salgadas, geleia de laranja, enorme elegância com aquela acidez que conquista num final muito longo e persistente. 95 pts

09 maio 2018

Lagar de Baixo Baga 2015


Um puro Baga, da Quinta de Baixo (Niepoort) com estágio de 20 meses em tonéis usados de 2000 litros. O resultado é uma fantástica surpresa no copo e à mesa, um tinto com 11,5% Vol. de aromas muito puros e frescos. Equilibrio, finesse, com garra e nervo que o aguentam por agora e por largos anos, dominado pelos aromas de pinhal, caruma, balsâmico, framboesa bem fresca, travo vegetal pelo meio, muita energia mas também um sabor vincado e uma secura final que limpa o palato e pede mais um trago. Perigosamente apetecível, conjugando finesse com austeridade, frescura e sabor. E quando damos por ele, acabou. Por coisa de 12,50€ é asseguradamente uma das melhores compras, grelhados no carvão, atum, bacalhau, polvo, chocos e lulas, se quisermos juntar-lhe um bife tártaro também alinha, tal a sua versatilidade à mesa. 93 pts

07 maio 2018

Maçanita branco 2017


Edição de 2017 deste Maçanita branco, criado no Douro a partir das castas Viosinho, Códega do Larinho e Gouveio. Fiel a si mesmo, apenas com passagem por inox, as castas dão-lhe vida num conjunto contido e preciso, com uma acidez acutilante, fruta madura, nota floral e vegetal fresco. Na boca é vivo, aguerrido e compacto com um final seco. Continua a ser um belo branco do Douro, na linha da anterior colheita, custa coisa de 7,50€. 91 pts

03 maio 2018

Mare et Corvus branco 2016


Este Mare et Corvus branco feito a partir de um lote das castas  Fernão Pires, Malvasia e Chardonnay, vem da vinha mais Ocidental da Europa Continental, localizada no promontório da Adraga, a 1,5 km do Cabo da Roca, Sintra. Local único e difícil, sobre o Atlântico, fustigado por ventos violentos e nevoeiros salgados, confere uma identidade muito própria a este vinho. E deve essa mesma identidade ser premiada e destacada ? Claro que sim, ainda por mais quando o vinho de maneira franca mostra um aroma de bela intensidade, muito fresco e alegre, limpo com citrinos e polpa branca bem fresca, ligeira ponta de geleia com fundo a maresia. Boca a condizer, elegante, fresco e delicado mas com uma identidade bem vincada a pedir mesa. Fiz-lhe a vontade com uma achova no forno. Uma bela surpresa com preço a rondar os 7,50€. 90 pts

02 maio 2018

Plácet Valtomelloso branco 2012

Das Bodegas Palacios Remondo (Rioja) e criado a partir da casta Viura, oriunda de vinhedos plantados em 1988 e com estágio em fudres ovais de 2000 litros durante 11 meses. O vinho mostra muita classe logo ao primeiro instante, dominado pela fruta amarela bem rechonchuda e muito fresca, especiarias com toque de untuosidade ligeira a aconchegar. Amplo, marcado por uma fina mineralidade lá no fundo, limpo com floral a esbater-se num longo e prolongado final. A acidez sustenta tudo em plena harmonia, num fio condutor que o percorre. É de 2012 mas o tempo parece que não passou por ele, belíssimo branco que custa 17€. 93 pts

Contradição Alvarinho 2014

Os Produtores de Vinhos Alvarinho de Monção (PROVAM) lançaram recentemente este Contradição Alvarinho 2014 que se afirma como o seu novo topo de gama. Um vinho de homenagem aos fundadores da empresa, fermentado e estagiado em barricas muito antigas, durante 7 meses, após o qual, sofre o estágio de 1 ano em garrafa. No tom amarelo dourado faz a sua apresentação, toque fumado com citrinos muito maduros, flores amarelas, tisana, biscoito de limão, fruto de pomar e pelo meio a frescura que o suporta. Na boca mostra que é saboroso e fresco, embora algo esbatido no final, mostrando no seu todo um conjunto que esperava mais limpo, pronunciado e afirmativo. Pelos 26,90€ que custou, é caro para aquilo que mostra no copo. 91 pts

30 abril 2018

Justino’s Sercial 1940


Pela alta acidez que a casta Sercial transporta para os vinhos, é a que mais tempo necessita para se desenvolver e mostrar em garrafa. Um belíssimo exemplar da casta, a mosrar-se com muitas notas de iodo, muita amêndoa salgada, laca, complexidade e elegância, caramelo com casca de limão cristalizada ao mesmo tempo que debita uma frescura bem afiada a embalar toda a prova. Grande presença no palato com ligeira untuosidade de frutos secos salgados, iodo, raspas de citrinos, muita emoção e sabor, mais uma vez a acidez em destaque num vinho a todos os níveis inesquecível. O preço de uma garrafa ronda os 390€ 96 pts

26 abril 2018

Herdade do Rocim branco 2017


O mais recente lançamento do Herdade do Rocim branco, feito a partir das castas Antão Vaz, Arinto e Viosinho. Na nova e bonita imagem surge a figura da Linária, uma planta endémica da Cuba alentejana e que se encontra em perigo de extinção. Um alerta e ao mesmo tempo um sinal que simboliza a paixão e compromisso pelo ambiente por parte do produtor. Quanto ao vinho, aparece melhor que nunca, foi de todas as edições a que mais gostei, mais afirmativa pela frescura e nervo, cheio de fruta madura e limpa, muito equilibrado e ao mesmo tempo sem quebras. Um branco pronto para a mesa que acompanha em grande um arroz de tamboril. O preço ronda os 7,50€ no que revela ser uma excelente aposta. 90 pts

24 abril 2018

Barros Colheita 1974


Em vésperas do 25 Abril, Dia da Liberdade, deixo a sugestão desta edição comemorativa, um Barros Colheita 1974. Num delicioso momento de forma, caracteriza-se pela elegância e delicadeza de todo o seu conjunto, rico na complexidade. Aroma dominado pelo aroma de frutos secos, muito bolo inglês acompanhado de caramelo salgado, madeira velha, conjunto com boa frescura e precisão. Na boca é mais seco e delicado, portanto menos untuoso e com menos "gordura" que outros vinhos do estilo, perde com isto largueza e presença. O preço ronda os 99€ e é um vinho para comemorar, sozinho ou com amigos, à liberdade. 93 pts

22 abril 2018

Henriques & Henriques Solera Century Malmsey 1900


Este vinho é um dos Soleras da Henriques & Henriques (Madeira) que surge de uma solera criada na colheita de 1900 e que no ano seguinte viu um décimo do seu volume ser substituido pela nova colheita. Este processo foi repetido mais 9 vezes e o casco foi fechado e deixado em repouso, para o lote final apenas ser engarrafado em 1999, cerca de 1000 garrafas. Tudo isto são detalhes que apenas enriquecem e aguçam a vontade de o ter no copo e contemplar este precioso e raro vinho. Transborda na complexidade, madeira antiga das barricas, frutos secos, passas de figo com nozes, mel, aconchego dado pela sensação de untuosidade. Caixa de charutos, desdobra-se como que por finas camadas de aromas e sabores, boca de veludo marcada pela frescura, concentração e uma tremenda elegância. Há vinhos que não se esquecem e este é certamente um deles. O preço ronda os 800€. 96 pts

Quinta de Baixo Vinhas Velhas branco 2015


Da paixão que Dirk Niepoort tem pela região da Bairrada, à colaboração com produtores da região ou distribuição de alguns dos seus vinhos, o caminho levou à compra da emblemáica Quinta de Baixo (Cantanhede). São no total 14 hectares que têm dado origem nos últimos anos vinhos como o Poeirinho Garrafeira ou este Vinhas Velhas. Neste caso as castas Bical e Maria Gomes terminaram a fermentação em fuders/foudres usados de 1000 litros, provenientes da Alemanha, onde ficaram durante 20 meses. Marcado pela austeridade e frescura, profundo e cheio de nervo com aroma de giz, citrinos e fruto de caroço, flores brancas e uma ligeira nota de resina. No palato é a acidez que o comanda, grande finesse de um conjunto que tem tanto de preciso como de coeso, austeridade mineral em fundo a marcar o ponto de secura que se prolonga por muito tempo. Um grande branco, demasiado novo e a pedir tempo para poder crescer em garrafa, ronda os 26,50€. 94 pts

20 abril 2018

Cálem Colheita 1961


Fundada em 1859, por António Alves Cálem, a Porto Cálem manteve-se na mesma família durante quatro gerações e sempre prestou grande atenção à produção de Vinhos do Porto de qualidade, resultando num reconhecimento por parte de todo o Mundo do Vinho. Este Colheita 1961 é um belíssimo vinho a mostrar uma faceta mais seca no seu perfil. Aroma concentrado e envolvente, bastante coeso, cheio de notas de frutos secos, figo em passa, caramelo salgado com uma fina nota especiada. Na boca a mostrar um belo equilibrio com aquele toque envolvente das madeiras velhas, amêndoa torrada, muita frescura, ligeiro caramelo amargo, enorme final de boca de um vinho complexo, fresco e que gosta de ter tempo no copo para se mostrar. Preço a rondar os 160€. 95 pts
 
Powered By Blogger Creative Commons License
This work is licensed under a Creative Commons Attribution-Noncommercial-No Derivative Works 2.5 Portugal License.