Copo de 3

28 setembro 2016

Mauro VS Vendimia Seleccionada 2009


É dos mais conceituados enólogos de Espanha e dos produtores com mais prestígio e consistência do país vizinho. Quando falamos de Mariano Garcia, lembramos Vega Sicilia mas no imediato nomes como San Roman ou Terreus e mesmo este Mauro VS, fazem parte do nosso imaginário. Este que aqui se destaca é o Mauro VS da colheita 2009,  um vinho que com mais ou menos idade mostra de forma consistente argumentos de excelência. Será sempre um vinho especial, um daqueles que se abre em companhia de quem mais gostamos, daqueles que fazem perdurar momentos e que criam excelentes memórias. Não se deixem intimidar pelos 55€ que custa mandado vir directamente de Espanha, vale cada cêntimo e se a despesa for dividida por vários amigos da causa, custa menos.

Quanto ao vinho, pura classe naquilo que nele mais se destaca, a fruta muito bem definida, fresca e suculenta, amparada por uma barrica de excelência (é marca da casa) mas a explodir de sabor na boca. Pelo meio notas de especiarias variadas, suave geleia, muita frescura num conjunto coeso e cheio de vigor. A complexidade é desde já muito boa tendo em conta a idade, direi que ainda está na fase ascendente da sua longa vida, ganhando claramente com o tempo no copo. Na boca explode de sabor, preenche o palato marcado pela fruta, a madeira dá sensação de cremosidade mas que nesta fase ainda fica ligeiramente ofuscada por uns taninos mais irrequietos que se fazem notar no final muito longo e persistente. Muita classe num dos meus vinhos favoritos. 95 pts

26 setembro 2016

Aromas de Cidrô, as novidades da Real Companhia Velha

As vinhas da Quinta de Cidrô - Fotografia de João de Carvalho
O portefólio de vinhos da Real Companhia Velha produzidos na Quinta de Cidrô, assenta numa surpreendente colecção de castas nacionais e estrangeiras. Localizada perto de São João da Pesqueira com os mais de 150 hectares de vinha, as suas primeiras plantações datam dos finais do séc. XIX, altura que coincide com a construção do seu bonito e imponente Palácio. A Quinta de Cidrô viria a ser comprada pela Real Companhia Velha em 1972 e seria alvo de uma necessária reestruturação, tanto a nível das vinhas como do seu palácio, compra de novas parcelas e plantação de novas vinhas, tudo num sistema de vinha ao alto, como é possível observar na fotografia.

Num conceito que poderemos dizer de irreverência e inovação, castas brancas como Chardonnay, Boal, Alvarinho, Sauvignon Blanc ou Gewurztraminer ou tintas como a Pinot Noir, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Rufete, têm preenchido os nossos copos de aromas e sabores oriundos da Quinta de Cidrô. Em conversa ficamos a saber que falta no ramalhete das brancas a casta Riesling, que com toda a certeza por ali irá ser colocada. Certamente que a frescura das terras da Quinta de Cidrô vai acolher da melhor forma a nova inquilina, tal como tem feito com todas as restantes que tão bons resultados têm conseguido.

Basta ter em memória o Quinta do Sidrô 1996 e comparar com o mais recente Quinta de Cidrô Chardonnay 2015, para entender o caminho de sucesso que tem vindo a ser percorrido nesta casa nos últimos anos. A prova teve uma mão cheia de brancos e um rosé, no total foram 6 vinhos e todos eles a mostrarem aromas espevitados e bem definidos, de perfil cada vez mais refinado e elegante mas com o Douro a marcar-lhes a alma. Uma evolução que se tem feito ao longo das colheitas onde cada vez mais os vinhos mostram os muitos encantos do local onde nasceram.

As novidades - fotografia Gonçalo VillaVerde
Quinta de Cidrô Alvarinho 2015: A mostrar frescura num conjunto bastante focado e coeso, estruturado e marcado pelo terroir do Douro com notas de fruto de pomar, citrinos e uma ligeira austeridade mineral em fundo. Passagem de boca com boa presença, saboroso e a fruta a marcar os sabores num final fresco e seco.

Quinta de Cidrô Sauvignon Blanc 2015: Ainda muito novo, expressivo num misto de fruta austera de caracter mais tropical e um toque de rebuçado de limão, vegetal fresco (espargo), conjunto coeso com o palato a médio tom no que a presença diz respeito. A fruta está menos presente que no nariz, terminando fresco e com boa persistência.

Quinta de Cidrô Boal 2014: A casta Semillon é conhecida no Douro como Boal, pelo que o vinho muda de nome, mas felizmente não mudou mais nada e por isso mantém todos os seus encantos. É claramente dos meus favoritos da prova, um vinho cheio e envolvente, que nos marca pela frescura e pelo tom mais morno que a madeira lhe confere. Cheio e opulento nos sabores e aromas, a acidez que tem domina-lhe por completo o espírito. Um daqueles para se ter, beber e se conseguir, guardar.

Quinta de Cidrô Chardonnay 2015: É já um clássico e dos mais bem conseguidos exemplares de Chardonnay feitos em Portugal vai para largos anos. O vinho surge mais elegante e refinado, nota-se a mão do enólogo, numa ligeira sensação de pão torrado, aconchego da madeira muito subtil com frescura e elegância da fruta de pomar, ananás mais dissimulado, coeso e ao mesmo tempo delicado, limpo e cativante.

Quinta de Cidrô Gewurztraminer 2015: Aroma cheio de líchias e pétalas de rosas, cheio de frescura num aroma muito directo que chega a saturar o nariz e mesmo o palato que quase sempre é um misto de frescura com água de rosas. O problema é meu certamente pois são casos raros os vinhos desta casta que me conquistaram, este não foge à regra e foi o que menos gostei da prova.

Quinta de Cidrô Rosé 2015: Um Rosé feito a partir de Touriga Nacional e Touriga Franca, mostra-se seco com toque fumado, misto de frutos vermelhos e flores (rosas de Santa Teresinha). Replica no palato o já descrito, marcado pela fruta bem saborosa e por uma boa secura no final.

23 setembro 2016

BSE branco seco especial 2015


Este vinho da José Maria da Fonseca é mais que uma referência para muito consumidor, o baixo preço a rondar os 3€, a facilidade de encontrar na grande distribuição e a escolha certa em muita carta de restaurante. Podia ser mais um entre tantos, mas não é e felizmente desmarca-se por aquilo que a marca já conquistou, tudo isto com a qualidade acima da média. É fresco e muito directo, complexidade pouca mas tem tudo na medida certa para agradar a acompanhar a refeição. Aquela fruta brincalhona com ponta floral, termina com boa secura, a mesma secura que o torna bom companheiro à mesa com uma grande variedade de pratos e até cozinhas do mundo. Beba-se fresco a acompanhar uns camarões fritos por exemplo. 88 pts

22 setembro 2016

Quinta de Pancas, o renascimento de um clássico


Continuo no meu pequeno tour pelas belas Quintas que rodeia a cidade de Lisboa, desta vez fui visitar a prestigiada Quinta de Pancas que tanto e tão bom vinho tem colocado na mesa dos consumidores nas últimas décadas. A Quinta de Pancas, fundada em 1495, está localizada a 45 km a noroeste da cidade de Lisboa, na freguesia de Santo Estevão e Triana, no chamado “Alto Concelho de Alenquer” junto ao lugar de Pancas. Entre a Serra de Montejunto e a lezíria da margem direita do rio Tejo, por entre montanhas, montes, vales e planícies a Quinta de Pancas mostra-se altaneira com os seus 50 hectares de vinha. Por ali os solos predominantes são calcários, variando a sua origem conforme a altitude das respectivas parcelas e ao declive das mesmas. Dominam nas variedades tintas a Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional, Syrah, Merlot, Castelão, Alicante Bouschet, Tinta Roriz, Touriga Franca, Petit Verdot e Malbec. Nas variedades brancas temos a Arinto, Chardonnay e Vital.

Durante anos os seus vinhos conquistaram os gostos dos consumidores mais exigentes, foram famosos e alvos de cobiça na década de 90 os Special Selection onde brilhava entre outros o Touriga Nacional e o Cabernet Sauvignon, o piscar de olhos a um perfil inspirado nos vinhos de Bordéus nunca foi escondido nesta casa. No final dessa mesma década foi colocado no mercado aquele que seria o topo de gama, um vinho que ainda hoje me trás muito boas recordações, um vinho de excelência que dava pelo nome de Quinta de Pancas Premium. Depois o tempo deu passadas bem largas e assistimos a uma renovação do que por ali era feito, perdeu-se algum encanto mas não se perdeu o “savoir faire” e exemplo disso foi o lançamento do Grande Escolha.


Nos dias de hoje assistimos ao renascimento da Quinta de Pancas alicerçada numa nova estratégia que inclui juntamente com a Quinta do Cardo a separação da Companhia das Quintas, apresentando-se agora com imagem renovada, assinada por Rita Rivotti. Os vinhos, rótulos incluídos, também foram alvo dessa mesma renovação e foram apresentados recentemente. Como gama de entrada estão os Pancas na versão tinto e branco, ambos da colheita de 2015, num perfil simples e bastante directo, centrados na fruta madura bem fresca e convidativa, são a meu ver belíssimas compras para um consumo diário.

Na gama Quinta de Pancas também em modo branco 2015 e tinto 2014, aqui melhor o branco na forma como se mostra, o tinto mais coeso e pouco falador ficando melhor na fotografia o Pancas 2015 pela jovialidade e forma desempoeirada como se mostrou. Já o branco mostra toda a candura da fruta madura, fresca e airosa, com ligeiro arredondamento. É um claro salto em frente na qualidade e no prazer que proporciona, para se terminar com os dois Reserva, também em formato branco com um 100% Arinto de 2014 e o tinto Reserva de 2013. O Reserva branco teve passagem por madeira durante 8 meses, o suficiente para lhe acalmar o espírito e conferir maior complexidade ao conjunto, dominado pela fruta madura com citrinos a fazer lembrar uma tarte de limão, ligeira baunilha e biscoito. Palato a condizer, bastante frescura suportada por uma bela estrutura. Também o Reserva tinto 2013 tem muito para mostrar, num perfil mais arredondado com nota de fruta vermelha bem rechonchuda, pleno de harmonia e sabor, madeira pouco presente e que dá lugar à fruta para que se destaque. Com vigor no palato, saboroso e com muito boa frescura a embalar a prova que pede comida por perto. Na passagem breve pelos vinhos ainda em estágio, direi que o futuro é uma vez mais prometedor para os lados da Quinta de Pancas.

21 setembro 2016

Casal Figueira Tradition branco 2002


Um vinho único e muito especial, criado por um dos grandes de seu nome António Carvalho, que infelizmente partiu cedo de mais. Foram longas as conversas que ouvi com atenção contadas pelo António, enquanto me dava a beber os seus vinhos, os Casal Figueira. Ficaram célebres os brancos Tradition, vinhos pouco compreendidos na altura, vinhos de culto e de puro terroir, vinhos de gente que faz falta no mundo do vinho. Este 2002 foi um caso único, Roussane e Sémillon foram as duas desvairadas que se alinharam para um branco que com os seus 14 anos se mostra pronto para as curvas, cheio de alma e classe. O tempo que passou por ele teve o efeito de acondicionar e concentrar um pouco mais aromas e sabores, os toques de mel e cera, juntamente com fruta amarela e flores de fundo, tudo com frescura e um embalo quase untuoso que nos leva por um caminho final bem fresco e de travo mineral. Muita qualidade com vida ainda pela frente, fantástico. 94 pts

07 setembro 2016

Soalheiro TerraMatter 2015

Já na segunda edição apresenta-se o Soalheiro TerraMatter 2015, elaborado com uvas em regime de produção biológica, não sujeito a filtração, fruto de vindima precoce e maloláctica parcial em barricas de castanho. Diferente e arrebatador pela maneira como conquista no imediato, tanto pela diferença mas pela qualidade que uma vez mais é apanágio desta casa. Fantástica prestação num vinho cheio de finesse, energia e definição aromática. Não há lugar a qualquer espécie de “massacre” olfactivo num vinho focado e preciso, belíssima presença com muito ainda para dar, o tempo que dura no copo apenas o demonstra. Denso, bom volume de boca com muita elegância e frescura, sensação de ligeira untuosidade. Travo mineral vincado em fundo numa passagem plena de sabor e frescura da fruta. Está a meu ver melhor que o 2014 e tal como seria de esperar, ainda muito novo pelo que será bastante interessante acompanhar a sua evolução, haja garrafas que o permitam. 94 pts

06 setembro 2016

Biodynamic Wine by Monty Waldin

Biodynamic Wine by Monty Waldin

É a mais recente pérola a ser adicionada ao já vasto leque de livros dedicados ao mundo do vinho com a chancela da editora Infinite Ideias. Cada título da The Infinite Ideias Classic Wine Library cobre uma região, país ou tipo de vinho e se tivermos em linha de conta os outros livros que já aqui foram abordados então podemos dizer que a qualidade está uma vez mais colocada num patamar muito alto.

O livro cujo título é Biodynamic Wine, versa sobre um tema que será controverso e originário de grandes discussões tendo por um lado os seus admiradores e seguidores/praticantes, sendo que também podemos contar com uma grande quantidade de cépticos e não crentes. O autor é Monty Waldin, uma autoridade no que toca a vinho orgânico e biodinâmico, também crítico, consultor e viticultor. O livro é uma janela aberta para o vinho biodinâmico, uma verdadeira fonte de conhecimento onde o autor com uma escrita fluida e cativante nos explica passo a passo processos e filosofias desta maneira de estar no mundo dos vinhos.

Ao longo de 222 páginas vamos sendo guiados pelo mundo do vinho Biodinâmico, não espere encontrar avaliação de vinhos ou de produtores porque simplesmente não vai encontrar. Feita a introdução necessária somos levados a conhecer as origens da Biodinâmica onde a figura de Rudolf Steiner ganha o esperado protagonismo. Nos capítulos que se seguem são abordados todos os preparados, onde ficamos a conhecer entre muitas outras coisas o porquê dos cornos de vaca serem cheios de estrume e enterrados a determinada altura do ano, isto e muito mais sempre guiados pelas mais variadas técnicas e tratamentos alterativos que vão sendo enumerados e explicados um a um. Qual a importância do vortex na altura de dinamizar os preparados? Ou qual a ligação dos organismos ao cosmos e como daí se trabalha seguindo o ritmo celestial? Por último um capítulo dedicado à certificação Demeter, o rigor é o mesmo de sempre tal como a vontade de continuar a ler e a entender este modo de estar que cada vez mais ganha adeptos entre os produtores de vinho por todo o mundo.

Um livro de referência e obrigatório para todos aqueles que de alguma maneira tenham ligação com o fantástico mundo do vinho, sejam profissionais do ramo ou wine lovers.

Dona Berta Reserva 2012


Este Dona Berta Reserva tinto 2012, mostra-nos que continua a haver vinhos que levam o seu tempo a entrar para o mercado. Muito carácter num vinho com raça e cheio de vida, muita fruta (bagas e frutos silvestres) mas também uma ligeira austeridade quer a nível de aroma como faz intenção de o confirmar no palato. Tudo muito compacto e bem coeso, apertado de tal forma que só com tempo é que se vão poder descortinar melhor os aromas. Por enquanto é um tinto cheio de vida e energia, capaz de fazer um brilharete com um bife de novilho no carvão com molho alioli. 91 pts

05 setembro 2016

Soalheiro Granit 2015


Em estreia absoluta o Soalheiro Alvarinho Granit 2015, fruto de uma selecção específica de vinhas plantadas acima dos 150 metros em solos de origem granítica. A fermentação ocorre a uma temperatura acima do normal em vinhos brancos em inox com battonage sobre as borras finas. O objectivo é mostrar a expressão da casta, bem como a expressão dos solos num vinho que mostra um lado mais seco, austero e mineral. Destaca-se boa exuberância com foco na fruta associada à Alvarinho, perfil muito limpo com grande elegância e boa austeridade. Palato forrado a fruta, solidez com fundo mineral envolto em secura. Todo ele muito preciso e focado, mais uma belíssima criação deste produtor. 92 pts
 
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