Copo de 3

25 abril 2015

Quinta de Val da Figueira Vintage 2007


Quando no final de um almoço me foi colocado à frente um Porto Vintage 2007 da Quinta de Val da Figueira, eu sinceramente desconhecia o nome do produtor, mas a alegria e o sorriso foi imediato após o primeiro sorvo. Como curiosidade no Douro uma Figueira é sinal que existe perto um curso de água.

A Quinta em causa não é recente, a sua história estende-se a 1759, com a Quinta localizada na margem direita do rio Douro ali bem perto do Pinhão. A propriedade figura no famoso mapa do Barão de Forrester, ganhando nova vida nos anos de 1878/1979 com a plantação de vinhedo após a devastação da filoxera, contando na atualidade com um total de 16 hectares onde a principal área de vinha a encontrar-se na família dos atuais proprietários há três gerações e algumas vinhas adjacentes há cinco gerações. A produção anual ronda as 110 pipas com os vinhos a serem vinificados em lagares de granito com pisa a pé.

Um Vintage 2007 servido pelo seu proprietário João Cálem Hoelzer, que desde os anos 90 tomou as rédeas da Quinta de Val da Figueira dando seguimento ao trabalho do seu Pai, Alfredo E. Cálem Hoelzer e de seu Avô, Alfredo Leopoldo Holzer que adquiriu a Quinta em 1930. Os vinhos na altura eram vendidos para a Cálem mas nos dias de hoje são vendidos para a Symington ficando apenas uma pequena parte que é rotulado como Quinta de Val da Figueira. Cheio de classe e sem aquela amálgama excessiva e chata de frutos do bosque em compota, tinha a essencial frescura mas não enjoava, antes pelo contrário. A finesse que mostra ter cativa a que se beba mais um pouco, a conversa ia-se desenrolando, o vinho com o tempo ganhou complexidade, abriu as portas a outros encantos, a sobremesa tinha chegado e este Vintage estava a saber tão bem que já não lhe tirei mais a vista de cima. 93 pts

24 abril 2015

Quinta do Ortigão Baga Bruto 2012


Cada vez melhor o espumante nacional vai ganhando o terreno que tem por direito à mesa dos consumidores nacionais. Depois da revolução dos brancos chega a vez aos espumantes que em menos de uma década começaram a aparecer em maior número e a convencer pela qualidade apresentada. O Espumante deixou de ser aquele vinho exclusivamente festivo quase sempre chato e sem graça, que acompanhava os bolos de aniversário da família. 

Neste caso merecedor de toda a atenção, o Quinta do Ortigão (Bairrada) Baga Bruto 2012, com preço a rondar os 8,50€. Bonita a tonalidade cobreada num espumante com boa expressão, fruta entre bagas silvestres e frutos vermelhos, erva seca, boa frescura, ligeiro fumado de fundo. Tudo embrulhado numa ligeira sensação de cremosidade que lhe assenta muito bem, boca com muita energia que limpa e revigora o palato, sentimos a fruta a estalar, final seco e a mostrar-se ao mesmo tempo sério e elegante. Fez uma belíssima companhia a uma feijoada de chocos. 89 pts

Giroflé Douro 2013



Depois do bom momento proporcionado pelo Giroflé Alvarinho, damos um salto até ao Douro, onde surgem dois vinhos da mesma marca. O Giroflé branco 2013 onde brilham as castas Viosinho, Rabigato e Malvazia, aconchegados nuns saudáveis 12,5%. Quanto ao vinho de início a mostrar ligeira austeridade vegetal, abrindo para fruta de caroço, o toque de pederneira confere alguma profundidade. Boca a replicar tudo o encontrado, boa presença da fruta de polpa branca, rasto mineral, tudo em estrutura mediana. Muito bom com filetes de peixe-espada e arroz de tomate. 90 pts


O outro Giroflé é um tinto 2013 do Douro, resultante de um blend de Touriga Nacional, Tinta Roriz e Tinta Barroca, num conjunto fresco muito marcado pela fruta bem carnuda e sumarenta que se destaca e nos atira para o perfil mais fresco do Douro. Todo o conjunto mostra equilíbrio e frescura, cacau e especiaria em fundo, tornando-o bastante convidativo e atraente. Boca de passagem suave com sabor e presença da fruta, a frescura equilibra a presença da fruta num vinho ideal para carnes grelhadas no carvão. 90 pts

20 abril 2015

Nossa Calcário Branco 2010


Este Nossa Calcário branco 2010 da autoria da Filipa Pato, foi servido durante um inspirado almoço criado pelo Chef Ricardo Coelho inserido no evento Simplesmente Vinho. Um Nossa em que apenas a Bical de Óis do Bairro (Bairrada) deu alma ao vinho, a produção rondou as 3.000 garrafas. Cheio de personalidade, num misto de pederneira com suave toque fumado aliado a uma fruta limpa (citrinos, pêssego) de delicado aroma e sabor, muito fresco e cheio de classe. Muito boa a estrutura, a firmeza com que se afirma no palato a mostrar que tempo é aquilo que não lhe falta pela frente, coeso, tenso, frescura ampla em camadas de sabor de fundo mineral, claramente vinho para ser bebido à mesa com por exemplo uns filetes de cavala como foi o caso. 94 pts

Nossa branco 2007

A inexistência de uma fotografia no formato habitual do Nossa branco 2007 apenas vem mostrar a raridade do vinho, a produção foi muito reduzida e as poucas vezes que foi "documentado" nas mais variadas redes sociais. Na realidade este vinho faz parte do período mais "experimental" de Filipa Pato ou aquela altura onde ainda se estava a ensaiar o que mais tarde se veio a afirmar como marca. Portanto o Nossa 2007 branco foi o primeiro, um vinho feito com as castas preferidas tanto de Filipa como do seu marido William, a Encruzado (Dão) e a Bical (Bairrada). 

A atravessar um grande momento, precisa do seu tempo para desenvolver toda a complexidade e dentro da sua "estranheza" conquista pela profundidade e identidade muito própria. Na riqueza da fruta, citrinos e pêssego, junta caruma de pinheiro, cera de abelha e um fundo bastante mineral, ao mesmo tempo mostra uma sensação de untuosidade que envolve todo o conjunto. Bem fresco na boca, sem ser pesado mostra nervo e a fruta bastante madura, rebuçado de limão, untuosidade em final longo. As duas castas dançam de forma harmoniosa, com muito bom perfume e uma capacidade invejável para brilhar à mesa... como foi o caso com um fantástico Arroz de Sapateira. 93 pts

17 abril 2015

Villa de Corullón 2003


Álvaro Palacios é nome de culto no mundo do vinho, desde a família na Rioja para o Priorato onde se lançou em 1990 e ganhou estatuto de lenda, depois juntou-se ao sobrinho Ricardo Perez e catapultou para as bocas do mundo uma casta e a respectiva região até então meio desconhecida, a Mencía na DOC Bierzo. A aposta foi claramente nas vinhas velhas daquela região, nomes como Fontelas, Las Lamas, Moncerbal, San Martin ou La Faraona cedo ganharam estatuto entre os mais grandes, disputados pelos sete cantos do mundo, caros e raros. De entrada de gama o Pétalos de Bierzo, seguido deste Villa de Corullón nascido de três velhas parcelas entre os 60-100 anos, cujo preço ronda os 35€.

Não tendo sido dos melhores anos deste vinho, destaca-se no imediato a limpeza de aromas, fresco e muito puro na fruta (groselha, cereja, framboesa) com lavanda, alcaçuz, tudo bem delineado com madeira plenamente integrada. Bem perfumado com notas de violetas, especiaria de fundo, algum caramelo de leite a conferir sensação de arredondamento. Boca com muita presença e frescura da fruta, cheio de sabor e vivacidade, coeso, especiado no fundo com leve bálsamo. Muita elegância e equilíbrio num vinho de grande classe. 93 pts

Bridão Private Collection 2012

Breve incursão pelos vinhos da Adega do Cartaxo, que hoje em dia o termo Cooperativa parece ter sido colocado debaixo do tapete. Esta Adega situada no Ribatejo, tem vindo a remodelar a imagem da sua gama de vinhos. Por entre algumas das novidades, cabe a este Private Collection 2012 ser o primeiro aqui a surgir, porque foi o que mais gostei e porque também pelo rótulo é o que mais se destaca. No lote a meias ficam a Touriga Nacional com Alicante Bouschet, vinho maduro, concentrado e opulento, carregado de fruta madura com toque especiado. Boa a frescura que o rodeia, boa a complexidade e a facilidade com que cativa, diga-se que é daqueles vinhos que facilmente agrada sem ter muito que pensar, porque quem bebe vinhos não tem de perder tempo a pensar, bebe porque sabe bem e este vinho sabe bem, sabe muito bem. Na boca envolve o palato, macio, guloso, a madeira fez o seu trabalho e deixa a fruta brilhar, carnuda e saborosa, com aquele apontamento de especiarias novamente em fundo. O que fazer, gostei deste vinho e pelo preço que ronda os 8€ vale bem a compra. 90 pts 

15 abril 2015

Caves São Domingos Blanc de Blancs Bruto 2011

Já tinha aqui escrito sobre a colheita anterior deste Caves São Domingos (Bairrada), um Branco de Brancas desta vez da colheita 2011 feito a partir de Bical e Maria Gomes. Como já foi dito, este não será dos exemplares mais elaborados ou complexos deste produtor, como por exemplo o Lopo de Freitas, mas é um espumante de qualidade que se mostra elegante e fresco, flores brancas e fruta madura (maçã, limão) juntam-se num conjunto repleto de vivacidade e harmonia, nada cansativo mostrando-se com boa presença de boca, acidez que revigora o palato tornando-o muito versátil à mesa com preço tentador que ronda os 6€. 89 pts

14 abril 2015

Ripanço Private Selection 2013

Voltamos à afamada Casa Agrícola José de Sousa (Reguengos de Monsaraz), propriedade da José Maria da Fonseca, de onde nos chega este Ripanço Private Selection 2013. Este vinho é o resultado da união entre a tradição e história com a moderna tecnologia, o resultado é uma mistura entre o antigo e o moderno onde o que faz toda a diferença neste caso é a ter-se utilizado uma técnica (ripanço) que remonta à era dos Romanos. Assim, a chamada técnica do ripanço consiste no desengaçamento das uvas à mão com auxílio de uma mesa de ripanço constituída por várias ripas de madeira. O movimento das mãos dos trabalhadores pressionando ligeiramente os cachos faz com que os bagos de soltem e fiquem separados do engaço, como se pode constatar no vídeo aqui colocado. Esta terá sido a primeira maneira de desengaçar a uva, evitando assim a presença dos taninos duros do engaço que podem originar um excessivo e indesejado amargor no vinho.

O vinho foi elaborado a partir do blend das castas Syrah (48%), Aragonês (32%) e Alicante Bouschet (20%) que tiveram direito a estagiar durante 6 meses em barricas de madeira nova de carvalho francês e americano. O que se destaca no imediato é o seu aroma com muita fruta madura, muitas notas de groselha preta e ameixa, com algum tempo no copo evolui e ganha alguma complexidade com ervas de cheiro, café expresso num fundo onde a baunilha derivada da barrica aparece bem instalada. O conjunto é fresco e solto, com ligeiro nervo que lhe dá alguma garra para conseguir acompanhar pratos mais temperados, como por exemplo uma Lasagne Bolognese. De resto nada complicado neste tinto com boa presença de boca, sempre cheio de frescura, fruta que explode de sabor e se prolonga até ao final, onde a compota e a especiaria se despendem de nós. 89 pts

Publicado em Blend - All About Wine
 
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