Copo de 3: D´Avillez Garrafeira 1995

06 março 2015

D´Avillez Garrafeira 1995

Em 1369 a família Avillez radicou-se em Portalegre, instituindo diversos morgadios. A partir de 1980, Jorge D’Avillez reestruturou as vinhas respeitando as castas tradicionais na região, e a vinificação passou a ser feita numa nova adega, na Quinta da Cabaça, de acordo com a moderna tecnologia. Em 1990 com a enologia da empresa José Maria da Fonseca, nascem as marcas D´Avillez e Morgado do Reguengo, os Garrafeira foram durante uma década símbolos do melhor que se produziu na região, tendo por direito próprio lugar entre os grandes vinhos criados em Portugal.

O último exemplar terá sido o Garrafeira 2000, já longe das performances dos seus antecessores, a estocada final foi dada com a venda da Quinta da Cabaça em 2005 para a Adega Cooperativa de Portalegre. A marca ficou no limbo, surgindo agora pelas mãos da Herdade dos Muachos, não tendo qualquer ligação com aquilo que foi no passado.

Este D´Avillez Garrafeira 1995 é um verdadeiro monumento, um daqueles vinhos arrebatadores e que nos mostra de forma clara o motivo pelo qual Portalegre é considerado um região com condições únicas para a produção de grandes vinhos. Nos 1,3 ha de vinha situada em solo xistoso, nasceu de um lote composto por Trincadeira (50%), Aragonês (35%) e Tinta Francesa (15%). Nos primeiros anos após lançamento no mercado, o vinho era compacto e austero, duro, com tudo ainda muito fechado e escondido. O tempo que passou por ele foi sabiamente lapidando este diamante que não sendo barato os seus preços variam bastante conforme o local, podendo chegar aos 50€, uma pechincha tendo em conta a qualidade e os preços de outros vinhos do mesmo patamar.

O que se destaca é a frescura que abraça todo o conjunto, tudo muito limpo e no mesmo patamar qualitativo, mostrando uma invejável harmonia de aromas e sabores. Fina e delicada complexidade, ervas aromáticas, fruta madura que quase se trinca (cereja, morango), leve ponta de licor com fundo terroso e especiado, Conquista a cada gole, puro deleite, profundo e delicado, um vinho adulto em plena forma, ombreando sem problema com o que de melhor se faz lá por fora. 97 pts

Publicado in Blend All About Wine

2 comentários:

Aneker Beker disse...

Às vezes não entendo o porquê de certas marcas alterarem os rótulos. Estou a provar uma garrafa da colheita de 2011 e o rótulo cinza prata não está à altura da qualidade do vinho. Pelo rótulo nunca o compraria... Simplesmente horrível. Apenas o comprei por estar em promoção. Este, da colheita de 2006, é bem mais bonito... Mas os portugueses parece que já há muito que mostraram ter essa capacidade de tornar feio o que é bonito.

João Pedro Carvalho disse...

Este é da colheita de 1995. O rótulo de que fala já não é da responsabilidade deste produtor uma vez que a marca foi vendida e continuada por outras mãos que decidiram alterar o rótulo e infelizmente o vinho.

 
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